21
dez
08

Televisão: nada se cria, tudo se copia.

montagem-vinhetas
A mesmice da programação e a nostalgia das vinhetas de final de ano.

Fim-de-ano é aquela época em que todas as emissoras parecem “desovar” o material de atrações inéditas, que teimosamente, deixaram guardadas, pegando poeira ao longo de todo ano. Só queria entender o porquê e a lógica dessa atitude.

Se vocês perceberem, se o fim-de-ano parece ser a mesma ladainha, repetida, paulatinamente, todos os anos… o início da “nova grade de programação”, é cada vez mais “empurrada” pra frente.

Antigamente, a grade do novo ano estreiava logo após o Carnaval. Agora passa Janeiro, Feveiro, Carnaval… Águas de Março, Páscoa… e nada!

Repetições de programas, de filmes, de episódios de séries… só não repete as novelas e os jornais. De resto: tudo é reprise. Eis que hoje passeando pelo YouTube! (é impossível assistir alguma coisa que preste no domingo), encontrei várias das vinhetas do SBT que marcaram a minha infância.

Se você viveu os anos 80, com certeza deve lembrar do “Quem procura, Acha Aqui”. Bozo, Vovó Malfada, Calma Cocada, Cocktetas (ops… digo, Cocktail)… tudo era cuidadosamente editado e comprimido em uma vinheta de 2 minutos, cuja trilha sonora, era eletrizante e uma melodia piegas e grudenta.

Quer relembrar? Vou mandar o vídeo aqui no YouTube para vocês:

O clipe e a música fizeram tão sucesso que viraram uma espécie “de patrimônio” do SBT. E quando a emissora completou 15 anos, eis que eles foram revirar o baú (não trata-se do outro Baú, o da Felicidade!) e acharam essa vinheta.

Regravaram a música, alterando a letra, inserindo novas imagens retiradas da programação. E assim foi ao ar:

Outra vinheta do SBT que marcou época e fez história foi a “Se liga no SBT“. Na época eu devia ter uns 13 anos. Quando ouvi a vinheta, algo me soou familiar. Eu fui revirar os LPs de casa e achei: era a mesma melodia de Get Ready, uma antiga gravação dos The Tempations e que naquele longícuo ano de 1993 também fora escolhido como trilha sonora do Hollywood (aliás, todas as músicas que foram trilha sonora dessa marca de cigarra foram grandes sucessos!). Eis aqui o vídeo:

Bom. Até aqui, apenas nostalgia. Relembrar é viver. Porém, acabei descobrindo que a vinheta do SBT é CÓPIA DESCARADA de uma vinheta da rede americana CBS. Existe até um vídeo que alguém teve a paciência de mesclar as duas, lado-a-lado, para podermos verificar a semelhança:

Seria realmente algo inacreditável; se falássemos de Globo ou outra emissora. Mas em se tratando de SBT e Sílvio Santos, tudo é possível. Antes mesmo de Chacrinha eternizar a celebre frase que entitula esta matéria, Sílvio já era um especialista em garimpar atrações lá fora e trazê-las para o Brasil.

Ele foi um pioneiro nisso. Hoje, praticamente, todas as emissoras adotam tal prática. A diferença, é que nos dias atuais, a questão de direitos autorais está bem mais rígida. Portanto, quem quiser “importar um formato”, deve assinar um contrato de franchising (licenciamento). Existem produtoras especializadas em criar formatos e vendê-los para emissoras do mundo inteiro; as mais conhecidas são a Endemol e Freemantle.

Olhe a grade das TVs. Na Globo, Big Brother Brasil, Lar Doce Lar, Lata Velha, Se Vira Nos 30, entre outros, são exemplos de atrações cujo formato são importados. Na Record, Troca de Famílias, O Jogador, O Aprendiz, e o recente Ídolos, são representantes dessa categoria de produtos televisivos. Na Band, É o Amor e o CQC – Custe o que Custar, são as aquisições da casa.

Enfim. Seja cópia – ou não – o fato é que o SBT marcou época com suas vinhetas de fim de ano. Sinto muita falta delas. Afinal, é insuportável ouvir o Jingle da Globo! Não aguento mais aquela coisa de “A festa é sua, a festa é nossa, é de quem quiser, quem vier…“. Podem pôr vídeos caseiros de ilustres anônimos ou uma animação gráfica de seu casting: nada vai tirar a chatice e a mesmice que essa música representa.

Justiça seja feita: a Globo marcou época e inovou quando fez a campanha “Tente, invete… faça um 92 diferente“. Ver os artistas da casa em performances totalmente inusitadas; ou alguém ainda tem dúvidas que ver o saudoso Costinha fazendo mágica e Tony Ramos & Antônio Fagundes formar uma desafinada dupla ao interpretar o mega hit Talismã, não era algo realmente surreal?

Mas, quem roubou a cena, sem sombras de dúvidas, foi Fátima Bernardes: ver a séria – e até então, sisuda – jornalista, deslizar delicadamente por um palco, sapateando e dançando, foi realmente uma grata surpresa!

P.S.: E falando em Get Ready: uma emissora local dos EUA, agora em 2008, reeditou a antiga vinheta da CBS. Eu aposto minhas fichas que no ano que vem, o SBT fará o mesmo!

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