03
jan
09

Música: Separados pelo Rock?

edsonhudsonNão é boato: o site oficial da dupla sertaneja Edson & Hudson, confirmou em nota oficial, que a dupla irá se separar em 2009. Para tanto, eles vão fazer uma “turnê de despedida”, e após isso, cada um seguirá seu caminho – apesar de continuarem irmãos e bons amigos.

Bom: eu já vi essa história antes muitas vezes. Duplas e grupos que terminaram e depois, em estratégias de marketing, promoviam “reencontros”.

Sandy & Jr, é o exemplo mais recente: a dupla anuniciou que iria se separar, assim que Sandy foi aprovada no vestibular da PUC Campinas para Letras. Antes, porém, a dupla fez uma “turne de despedida”. Passado quatro anos, a dupla gravou um “Acústico MTV” e promoveu outra turnê: desta vez, de retorno. Como realmente ficou constatado que a imagem de ambos estava desgastada demais e não vendiam tantos CDs quanto no auge da carreira do duo, sentenciou-se a separação – desta vez definitiva.

Sandy Lima casou-se com seu namorado Lucas (e músico da Família Lima… será que ela passou a assinar Sandy da Lima & Lima???) e Júnior Lima (não o da Família Lima, mas sim, o irmão de Sandy), aventurou-se a montar uma banda de pop-rock chamada Nove Mil Anjos (o MySpace da banda é um dos mais bombados da internet. Confira aqui). Como esta matéria não é uma avaliação do trabalho desse novo “petardo” do rock nacional, abstenho-me – por hora – de quaisquer comentários.

Outro caso emblemático de irmãos que romperam e tentaram voltar – mas sem o mesmo brilho de outrora – foi da dupla Christian & Ralf. Considerada pelos críticos como “a dupla sertaneja mais afinada”, eles resolveram se separar justamente quando estavam no “almejado e invejado Top10” da música sertaneja: naquela época, Leandro&Leonardo, Zezé&Luciano, Chitão&Xororó, João Paulo&Daniel, Gian&Giovanni, Bruno&Marrone, Maurício&Mauri, Cleiton&Camargo e Rick&Renner, revezavam-se nas posições do ranking.

Após o retumbante fracasso do disco-solo de Christian (que é melhor contando piada do que cantando sozinho, na minha humilde opinião), Ralf decidiu tentar revolucionar o mercado fonográfico brasileiro! Não: ele não lançou nenhum disco de rock (afinal, ele admitiu várias vezes, que ao contrário de outros sertanejos, em seu carro não tocava-se música sertaneja raiz, mas só Pink Floyd, Mettalica e Iron Maiden).

Ralph (ou Ralf… tanto faz, eu nunca soube qual é a forma correta de se escrever) inventou um “tipo de mídia”, chamado SMD, registrando a patente em seu nome (é claro! ;-)) e lançando um álbum da dupla nesse novo formato. Foi à todos os programas de TV alardear que ele havia descoberto a arma definitiva que sepultaria a pirataria de CDs. Detalhe: foi um retumbante fracasso.

O SMD é nada mais, nada menos, que um CD normal, com uma superfície de dados menor: tipo assim, se num CD normal cabem 70 minutos, no SMD cabem 30. O que Ralf fez foi reinventar a Roda. Ou melhor: o single, que era muito comum nas décadas de 50 à 70. Naquela época, quando um artista entrava em estúdio, ele lançava o chamado “compacto simples” (contendo apenas uma única música, em um único lado… por isso single) ou um “compacto duplo”  (que eram duas músicas, uma em cada lado).

Somente se uma (ou ambas) as músicas estourassem nas rádios, acarretando uma expressiva vendagem desses compactos, é que a gravadora se animava à bancar a gravação de um LP (que vem de long play… uma referência às dimensões radiais do disco de vinil, que no caso do LP eram 12 polegadas contra 7″ dos compactos).  Ralf quis reeditar essa velha prática, lançando um novo formato, que na verdade, não trazia nada de novo.

Hoje, as gravadoras não têm o hábito de lançar mais singles. O que encarece o CD não é o “tamanho da superfície gravada”, mas sim, os custos de produção e divulgação do artista. Em outras palavras: para lançar um CD de uma banda nova, a gravadora tem que investir muito mais dinheiro para fazer o “disco emplacar”; ao passo que artistas já renomados, costumam exigir um requinte de gravação que custa muito mais caro, do que uma banda ou cantor(a) principiante.

Voltando ao Edson & Hudson, vale lembrar que eles fazem parte de uma 3ª geração de duplas sertanejas, que beberam mais da fusão entre o country norte-americano e o batidão de viola. Junto com eles, vieram Guilherme e Santiago, Bruno e Marrone (nessa altura, eles saíram da posição de coadjuvantes para expoentes), entre outras que eu não me recordo quais eram.

Aconteceu então que, alguns jovens de Belo Horizonte e Ribeirão Preto, começaram à promover Raves Rurais: festas regadas à muita cerveja e música sertaneja, quase sempre frequentadas por jovens universitários. Tais “violadas” acabaram promovendo um novo tipo de divisão dentro da música sertaneja e levantando uma plêiade de novas duplas, entituladas como Sertanejo Universitário: Victor e Léo (SC), César Menotti & Fabiano (MG), Hugo Pena & Gabriel (MT), João Bosco e Vinicius (MS), entre outras tantas, cujas músicas se espalham rapidamente entre os “adeptos” e frequentadores habituais das chamadas Violadas Universitárias.

Minha opinião sobre essa “nova geração” é bem antipática: eu acho que do ponto de vista musical e técnico, eles deixam muito à desejar, em relação à duplas do calibre de Edson & Hudson, Zezé di Camargo & Luciano, Bruno & Marrone e Leandro & Leonardo.

Primeiro, porque basicamente, os arranjos das músicas são pobres – ou inexistentes, na maioria delas – privilegiando tão somente a sonoridade de violões, tocados num ritmo frenético e acelerado, para que o povo possa dançar sem parar. Os violeiros chamam isso de batidão!

Em segundo lugar, o repertório deles é basicamente composto por regravações de grandes sucessos, eternizadas nas vozes de duplas mais antigas, como as citadas anteriormente. Os irmãos “fofuxos” Cesár Menotti e Fabiano, por exemplo, estouraram nas rádios com o hit “Como um anjo”, faixa bônus track que integrou o antológico álbum branco da dupla Zezé & Luciano de 1993. A única exceção honrosa entre “tantas duplas genéricas ” vai para Victor & Léo, cujo repertório é praticamente autoral – músicas compostas e interpretadas por eles mesmos.


mubi3152-756345 Os Rumores da Separação

Tudo começou quando Hudson Cadorini (eis o nome artístico do parceiro de Edson) lançou um disco solo, onde ele quis demonstrar seu talento e virtuosidade tocando guitarra. O álbum Turbination, recebeu muitas críticas positivas, inclusive de publicações especializadas em rock, elegendo o disco como uma das gratas revelações deste ano.

O disco de estréia de Hudson contou com participações especialíssimas, de nomes e figurinhas conhecidas no metieur do rock brasileiro: os irmãos Andria e Ivan Busic, da banda Dr. Syn e do guitarrista do Sepultura, Andreas Kisser. Fora o fato que algumas faixas desse CD, foram na verdade compostas para serem “temas de abertura” nos shows da dupla, há muita coisa boa no CD. Para quem quiser ler um release legal, veja os links ao fim deste post.

Até então, os rumores da separação eram prontamente desmentidos por ambos e pela assessoria de imprensa da dupla. Segundo o site ObaOba!, Hudson teria declarado aos fãs que “podem ficar completamente tranqüilos, pois o músico afirmou que a dupla não irá acabar” (sic). Porém, o que era especulação, acabou se confirmando: a verdade veio à tona quando o site oficial da dupla anunciou que a dupla deixaria de existir à partir de 2010.

Dito e feito, parecia cristalino que Hudson resolvera dedicar-se mais à sua nova “viagem musical”, através do rock n’ roll. Mas e Edson? O que faria o primeira voz da dupla? Lançaria-se, também, em carreira solo? Afinal, Leonardo e Daniel consiguiram continuar (e quiçá, aumentar ainda mais) o sucesso que já tinham quando formavam dupla com seus parceiros (falecidos, registre-se).

Eis que o suspense logo foi dissipado: Edson lançou seus “pimpolhos” como uma nova dupla infantil. Sim! Com o fim anunciado de Sandy e Jr, um vácuo ficou. E se as apostas de Edson se revelarem acertadas, esse espaço será preenchido por seus filhos Vitor e Vitória.  Ao julgar pelo que eu “vi e ouvi”, há um longo caminho pela frente!

Vitória – a filha mais velha – canta melhor e tem uma presença de palco e uma simpatia natural. Já Vitor, mais novo, demonstra ser “um peixe fora d’água” ainda. Ele é inseguro e parece forçar uma empatia com o público, o que contradiz as declarações do orgulhoso Pai e Empresário, ao site OFuxico. Segundo Edson: “Era inevitável! Vitor sempre se destacou, em nossas aparições; Vitória acabou seguindo o mesmo passo do irmão. Tentei segurar, mas a vontade deles de cantar foi maior. Eu não podia dizer não para o sonho dos meus filhos“. (grifo nosso).

Admito que Vitória, pelo menos, parece ser afinadinha e tem um timbre bem doce e não tão irritante quanto de Sandy ou Wanessa Camargo. Mas achei inadequada a opção dos pimpolhos gravarem um “tema romântico” como música de trabalho, pois, ao vê-los na TV, está claro que ambos são duas crianças divertindo-se com o estrelato recém conquistado.

Só o tempo irá dizer que a separação de Edson e Hudson foi definitiva ou foi apenas uma jogada de marketing para promoverem os pimpolhos Vitor e Vitória… Por hora, fica a dúvida: foram separados pelo Rock? Sim ou Não: eis a questão!


Releases:

http://www.noembalo.com/blog/2008/08/hudson-cadorini-turbination.html
http://www.lastfm.com.br/music/Hudson+Cadorini

Entrevistas:

http://www.obaoba.com.br/noticias/sertanejo-hudson-grava-cd-de-rock-
http://ofuxico.terra.com.br/materia/noticia/2008/03/05/filhos-de-edson-da-dupla-com-hudson-se-iniciam-na-musica-76070.htm

Comunicado Oficial:

http://edsonhudson.uol.com.br/ehnoticia.asp?IDNoticia=160

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8 Responses to “Música: Separados pelo Rock?”


  1. 1 Flábio
    4 de janeiro de 2009 às 00:54

    Amigo, se tivesse um vírus para anular a voz de cantores que não gosto, colocaria em ordem de prioridade para infecção:

    a) Pagodeiros
    b) Sertanojos
    c) Axezeiros (menos a Jake)

    PS: a Xuxa não foi incluída porque nem cantora é.

    Se o tal do caipira quer virar roqueiro, que vire.

    Anote aí: prefiro um roqueiro, mesmo que medíocre, a um sertanejo estourado nas paradas de sucesso.

  2. 2 rogerio
    4 de janeiro de 2009 às 21:24

    Acho que você está enganado quanto ao SMD e a carreira da dupla Chrystian e Ralf. Se você entrar no site da dupla vai deparar com record de público ainda é a melhor dupla do país. E se entrar no site http://www.portalsmd.com.br vai deparar com muitos artistas em SMD principalmente no estilo rock. Inclusive a geração do site My Space está toda em SMD. O SMD tem capacidade de até 18 músicas e não apenas é um single. Creio que é preciso que se informe antes de escrever alguma matéria.

  3. 3 teamajormar
    4 de janeiro de 2009 às 22:04

    Claro Rogério,

    Agradeço a sua visita e sua opinião.
    Como disse, o nosso objetivo aqui no Site é propiciar uma nova visão, um novo olhar sobre as notícias.
    A opinião aqui divulgada são pessoais. Em nenhum momento tenho a pretensão de estar com a razão sempre, mas sim, de expôr meu ponto de vista.

    Sobre a carreira de Christian e Ralf, realmente eu não sei a quanto andas, pois não sou fã da dupla e não acompanho seu trabalho. Sei apenas uma coisa: estão fora da mídia. E para mim, isto basta.

    Quanto ao SMD, eu particularmente creio que o SMD, o CD e o próprio DVD estão fadados ao desuso, como aconteceu com o LP e K7. Aliás: o SMD já nasceu ultrapassado. Um BlueRay é infintinitamente melhor que um SMDv.

    Eu pesquisei sim antes de falar sobre o SMD. A referência ao termo “single” foi apenas ilustrativo, para tentar explicar sobre as táticas mercadológicas das gravadoras Majors.

    Mas em todo caso, agradeço seu comentário.
    E volte sempre…

    Comentários como o seu, ajudam a construir um blog cada vez melhor.
    Abraço!

  4. 4 ricardobraga
    5 de janeiro de 2009 às 16:53

    Amigos acho que está tendo um equivoco a tecnologia BlueRay pode ser usada no formato SMDV. A fábrica Microservice que faz os SMDs já me confirmou isso. E olha que é a maior fábrica da América Latina. Acho que o amigo do blog tem uma certa inveja do sertanejo Ralf, porque picha a dupla dele e o produto que ele inventou. Mas tudo bem isso é mal de brasileiro………

  5. 5 teamajormar
    5 de janeiro de 2009 às 20:44

    Ricardo Braga,

    Encaminhamos um pedido de explicações sobre as diferenças entre as tecnologias DVD x BlueRay x SMDv e CD x SMD para um especialista em áudio e tecnologia.

    Assim que obtivermos a resposta dele, publicaremô-la aqui. Por hora, importante é ressaltar alguns pontos:

    1. Obrigado pela visita e comentário. Volte sempre!

    2. Não tenho nada contra Christian & Ralf… mas também, NÃO TENHO NADA A FAVOR!

    3. O que seria “mal de brasileiro”? Seria o fato de expressar sua opinião? Ou o fato de não gostar de determinado artista X ou Y? No país onde nasci, a Constituição garante liberdade de expressão e opinião.

    4. A matéria tem enfoque principal na dupla Edson e Hudson. Christian e Ralf foram apenas “citados”, em segundo plano, apenas para ilustrar um caso de duplas que se separaram.

    5. Quanto à mídia SMD e a analogia as expressoes “single” e minha particular opinião – de que não há nada de inovação – são irrelevantes no contexto da matéria.

    Enfim, em todo caso, agradeço (mais uma vez) a contribuição.
    E fico agradecido pela audiência neste espaço.

  6. 13 de janeiro de 2009 às 13:12

    ♥Edson e Hudson♥ nao poide separaa eliis sao a minha vidaa!!

  7. 13 de janeiro de 2009 às 13:29

    tudo isso que esta escrito ai e uma grande mentira… amo Edson e Hudson de mas e nao possa aceitar oq vc falaram ai… vc diseram que as musicas deles é pobre ¬ ¬ se fosse pobre num teria taantos fãns assiim…

  8. 8 teamajormar
    13 de janeiro de 2009 às 13:47

    Ola Chrisnara,

    Obrigado pelos dois comentários… mas me perdooe (sem “^”, de acordo com a nova regra ortográfica): EM QUE LUGAR DO TEXTO EU DISSE QUE A MÚSICA DE EDSON & HUDSON É POBRE?

    Muito pelo contrário: eu ouvi o novo Cd solo de Hudson (muito bom por sinal… só pra quem curte rock mesmo!) e coloquei a dupla “Edson & Hudson” no pedestal.

    Quem eu falei que é ruim, que eu NÃO GOSTO NEM DE OUVIR, NEM DE VER, E NÃO VOU A UM SHOW NEM AMARRADO, é de qualquer uma dessas duplas genéricas de sertanejo “blearg!” universitário.

    E certamente, Edson & Hudson, não faz parte desse grupo… ainda bem né?

    Realmente, é uma pena que eles se separem (SIM, ISTO É VERDADE E CONSTA DO SITE OFICIAL DA DUPLA, veja o link ao final da matéria), pois eles eram “um luxo” no meio de tanto “lixo”.

    Bom… ainda bem que (ainda) existe Victor e Léo. Mas algo me diz que Vitor Chaves Zapalá Pimentel seguirá carreira-solo, em um futuro não tão remoto assim.

    Mas, obrigadaço pelo comentário!!!


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