07
jan
09

Cultura Inútil: Big Brother Pantaneiro

Os candidatos à Brothers de MS, Priscila e Daniel

Os candidatos à Brothers de MS, Priscila e Daniel

Divulgada a lista dos 18 candidatos à “brothers” na nova edição do Big Brother Brasil – BBB9

Acabei de olhar no blog do BBB9 que foram pré-escolhidos os 18 candidatos a participarem da temporada 2009 do reality show Big Brother Brasil. E para minha surpresa, dois são sul-mato-grossensses: Priscila e Daniel.   Particularmente, eu não assisto o BBB a algumas temporadas – especialmente a do ano passado, que sem sombras de dúvidas, foi a mais grotesca e apelativa dentra todas elas.

O Big Brother é um formato idealizado pela Endemol e já é atração em TVs de outros países (Estados Unidos, Portugal, Espanha, Alemanha e por aí vai…).

Todo mundo já deve estar careca de saber que o nome do programa é inspirado no livro “1984” (em inglês, o título original era Nineteen Eighty-Four, publicado em 1949)  de The Big Brother, do escritor inglês George Orwell (na verdade, esse era o pseudônimo de Eric Arthur Blair), um dos mais aclamados autores de obras do gênero SciFi (abreviatura para Scienc Ficction, em português, Ficção Científica).

Falando em Ficção Científica, Orwell era contemporâneo de outro ilustre escritor inglês: Herbert George Wells (1866-1946), cujos livros se tornaram célebres, quer pelo alto grau de fantasia:  como em  “O Homem Invisível” (The Invisible Man, 1897) e “A Máquina do Tempo” (The Time Machine, 1895). Quer pelo caráter profético-tecnológico, como em “O primeiro homem na Lua” (The First Man in the Moon, 1901) onde Wells conjecturou como seria a conquista do inósito satélite pela humanidade e em “O Cérebro Mundial” (World Brain – The Idea of a Permanent World Encyclopaedia, uma coletânea de ensaios publicados em 1938), onde ele lançou as bases do pensamento, que dariam origam ao que chamamos hoje de internet.

Tanto Orwell quanto Wells estavam certos nas suas previsões: que num futuro, não muito distante, a humanidade seria constantemente vigiada (você já notou que tem câmeras na padaria, farmácia, mercado, locadora de vídeo, banco, portaria do prédio, etc etc etc) e que o conhecimento dos fatos e acontecimentos, seria compartilhado por todo mundo, numa grande enciclopédia global (a internet!).

Mas nenhum dos dois – por mais especialistas que fossem em ficção –  poderiam prever que, tanto seu ideal tão autruísta (Wells), quanto seu medo catastrófico (Orwell), iriam se tornam ingredientes, de um produto de entretenimento… e que produto!

O “Big Brother” em muitos países, é nada mais, nada menos, que um programa que beira o mau gosto e a promiscuidade escancarada: os participantes (sabe-se lá porquê) aceitam submeter-se à privação de liberdade, fraternidade e privacidade, para degladiarem entre si. Sabem que é apenas um jogo, e que somente haverá um vencedor.

São bestializados: sua “humanidade” é reduzida à condição mais “animalesca” possível, onde os instituos naturais de defesa e ataque, vêm à tona, diante de uma platéia de espectadores atônitos e curiosos, obecados pela sordidez das cenas protagonizadas. Fazem parte das táticas de defesa-ataque, a utilização de joguetes sexuais, encenações teatrais e maquinações políticas (na acepção grega da palavra).

Voltando ao BBB – o grande irmão daqui do Brasil, até algumas edições, era interessante assistir. As primeiras edições se tornaram antológicas, justamente, por distoar da “mesmice apelativa” dos seus co-irmãos estrangeiros. Eram verdadeiras experiências antropológicas, onde desenhava-se um roteiro tipicamente novelista, com “mocinhos e bandidos” bem definidos. Os mocinhos – quase sempre, negros, pobres, feios, etc – sagraram-se vencedores.

Alguns participantes do BBB almejam o estrelato e a fama: alguns, tiveram razoável êxito nessa empreitada. De cabeça, recordo-me apenas da Juliana (que brilhou neste ano na novela Duas Caras) e Graziella (que virou atriz de primeira grandeza global). Dos homens, nenhum emplacou. Das mulheres, algumas pousaram para a Playboy ou revistas do gênero. No modo geral, os brothers inauguraram um novo tipo de classe de “artistas”: o das celebridades instantâneas.

Andy Warrol, grande artista-pintor que consagrou-se nos Estados Unidos na metade do século XX, sagrou para a posteridade um célebre ditado: todo mundo terá seus 15 minutos de fama, algum dia. A fama dos brothers é tão efêmera quanto o próprio programa e concursos de Misses. Tem duração certa: até a próxima edição, quando uma nova plêiade de desconhecidos serão alçados aos seus “Fifteen Minutes of Glory”.

O retrospecto sul-mato-grossensse no Big Brother não é nada animador: na única vez que nos fizemos presentes, foi com o Dilsinho Mad-Max – uma verdadeira afronta ao personagem vivido por Mel Gibson, cuja biografia estou terminando de ler. Dilsinho chegou botando banca de fortão, motoqueiro e barraqueiro… mas pediu arrego, e aos prantos, pediu pra sair. Pegou mal e custou caro! Passaram-se muitas edições sem a presença de um(a) pantaneiro(a) no programa…

Eis que agora, Boninho parece querer se redimir com este rincão do Brasil e quer “tascar uma overdose de Pantanal” nas veias dos brasileiros… resta saber se vai dar certo.

Certo mesmo é que, vai ser muuuuuuuuuuuuuuuito chato aguentar esses dois, quando voltarem de seu “exílio global”. Até hoje, Dilsinho (um ilustre desconhecido), circula pelas “baladas rurais” de Campo Grande, realmente, achando-se uma celebridade. Imagina se um desses dois conseguir ir além do que foi Dilson? Ou até mesmo, consiga a façanha de ganhar? Ah… daí eu acho que vou me matar!!!


Créditos:

Imagem: fotomontagem feita por mim, à partir das imagens de divulgação no site oficial da atração
Logotipo BigBrother: marca registrada de Endemol e licenciada para TV Globo Brasil.

Referências:

Site Oficial BBB: http://producao.bbb.globo.com/diariodaproducao/2009/01/07/conheca-os-escolhidos/
1984 – O Livro: http://www.duplipensar.net/george-orwell/1984-orwell-resumo.html
H. G. Wells: http://en.wikipedia.org/wiki/H.G._Wells
George Orwell: http://en.wikipedia.org/wiki/George_Orwell

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