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Comportamento: 2 motoqueiros mortos em menos de 24 horas

Samuel da Silva Paiva, o "Samuca", foi uma das vitimas fatais do trânsito campo grandense.

Samuel da Silva Paiva, o "Samuca", foi mais uma das vítimas fatais do trânsito campo grandense.

Trânsito violento: em menos de um dia, dois motociclitas morreram em Campo Grande.

Campo Grande (MS) é uma cidade bucólica, interiorana e aprazível. Quem chega à Cidade Morena se encanta com a quantidade de árvores e com as largas avenidas desta capital.

O que era para ser um ponto positivo, nos últimos anos, tem sido a principal morte de campo grandenses: o trânsito matou só em 2008 mais de 80 pessoas.

Em consulta ao site do Detran-MS, a última estatística divulgada para a Capital (veja aqui), apontava que entre o período de Janeiro à Novembro do ano passado, 80 pessoas haviam morrido no trânsito campograndense. E só estão computadas as vítimas fatais que faleceram no local do acidente: nem o Detran, nem a Ciaptran (Companhia de Trânsito da Polícia Militar), têm qualquer estudo sobre as vítimas fatais, que morreram em decorrência dos ferimentos sofridos em acidentes.

Num comparativo entre o período de Janeiro/Dezembro de 2007 com Janeiro/Novembro de 2008 [até esta data, o Detran ainda não havia divulgado as estatísticas do mês de dezembro], houve um acréscimo de 5 % (por cento) no número de vítimas fatais. Frise-se: ainda faltam ser computadas as vítimas fatais de Dezembro, que por ser um mês festivo, tradicionalmente há um incremento no número de acidentes e da gravidade nas lesões, em função do índice de condutores bêbados.

A 1ª vítima:

A primeira vítima fatal foi o motociclista Samuel da Silva Paiva, por volta das 17 horas, na esquina das avenidas Afonso Pena e Prof. Luiz Alexandre de Oliveira (1º trecho da Via Park) [veja no Google Maps o local do acidente].

A notícia da morte de Samuel causou grande comoção pública, pois a vítima – conhecida como “Samuca” – era músico gospel, dono de uma loja de instrumentos musicais e de uma escola de música. Muitos artistas foram alunos de Samuca, inclusive, alguns com grande destaque nacional.

As causas da morte ainda são controversas. Testemunhas presentes confirmaram a versão do condutor da caminhonete Ranger (placas HRZ-5381), Samuca teria avançado o Sinal Vermelho e por isso, causado o acidente. Outras testemunhas afirmam que o motorista da caminhote, parecia impaciente e “acelerava, enquanto aguardava o sinal abrir”.

Entendemos a consternação das pessoas em função da perda de uma pessoa que contribui muito para cultura campograndense, mas sempre gosto de ressaltar: o fato do motorista estar acelerando a caminhonete, não o faz culpado. Pelo horário que o acidente ocorreu (às 17 horas, em pleno rush), a maioria dos motoristas tem o hábito de acelerar enquanto esperam o sinaleiro abrir.

A 2ª vítima:

A segunda vítima fatal foi o motociclista Anderson André de Souza, que conduzia a moto de placa HTB-9976, atingido na esquina da Avenida Eduardo Elias Zahran com Rui Rui Barbosa [veja no Google Maps o local do acidente].

Segundo informações da Ciaptran, divulgadas pelo site CampoGrandeNews, o condutor da Toyota Hilux, placas HTA-8191, efetuou uma conversão proibida e acabou provocando o acidente, que deixou como vítimas, além do condutor Anderson, o seu carona Carlos Alberto de Souza da Silva.

Os dois foram socorridos pelo Serviço de Urgência, mas Anderson não suportou os ferimentos e faleceu momentos depois, no hospital. O condutor da pick-up fugiu sem prestar assistência, mas populares que testemunharam o ocorrido, conseguiram anotar a placa.

O inusitado foi que, após checarem a placa da Hilux, a Polícia de Trânsito descobriu que a MESMA CAMINHONETE HAVIA PROVOCADO UM OUTRO ACIDENTE, MINUTOS ANTES, na confluência das avenidas Calógeras e Fernando Corrêa da Costa.

No outro acidente, o(a) motorista(?) da Hilux, colidiu com a Wolksvagen Saveiro, de placas DIJ-7174, conduzida por Ariel Antonio Culere, porém, sem maiores gravidades nos ferimentos: apenas prejuízos materiais. Em ambos os acidentes, o condutor da Hilux, evadiu-se do local sem prestar assistência às vítimas.

Ele(ela) continua foragido(a), mas a Polícia já tem o endereço no qual o veículo está registrado junto ao Detran e já iniciou às buscas ao(à) condutor(a) da Hilux.

De quem é a culpa?

Independente da discussão sobre quem foram os “culpados” e das causas dos acidentes, é interessante se perguntar, onde fica a culpa do Estado nisso tudo. Em dez anos, o número de veículos cresceu muito mais que o número de habitantes, em Campo Grande.

E as autoridades não prestaram atenção à esse fenômeno: constuíram avenidas largas e importantes na interligação dos bairros com o centro, porém, esqueceram-se do transporte coletivo.

O transporte urbano de Campo Grande, é um dos mais caros do Brasil: a tarifa atual é de R$2,4o em dinheiro e R$2,10 no cartão indutivo… não sei onde fica o princípio da igualdade neste caso! Mas fazer o quê? Onde estão o Ministério Público e a OAB para questionarem a legalidade e constitucionalidade de tal medida?

Fora isso, há ainda a questão dos atrasos: a Prefeitura pressionou e as empresas de transporte coletivos, aumentaram o número de carros em linhas “estratégicas”, para diminuir o tempo de espera para os usuários. Mas isto acabou gerando um aumento do fluxo de ônibus no quadrilátero central, em nos horários de picos, fica praticamente impossível trafegar no centro, pois todas as faixas de rolamentos são ocupadas por ônibus!

Restou ao empregado, a única alternativa possível, para economizar tempo e dinheiro: comprar motos. O número de motos em Campo Grande é absurdamente maior à média nacional. E a qualidade dos condutores de moto, é inversamente inferior, à quantidade de veículos em circulação.

Os especialistas em trânsito, sabem que qualquer medida é paliativa: não adianta criar-se faixas exclusivas para ônibus ou motos. A questão do trânsito é uma questão de educação: é de pequeno que se torce o pepino. Hoje em dia, cada vez mais, as pessoas querem ter direitos, mas não querem ter deveres.

Metrô em Campo Grande:

A única solução – de médio prazo – é investir no transporte coletivo: Campo Grande é uma cidade com 800 mil habitantes, candidata à sede da Copa de 2014 e tem uma área urbana muito grande, pois seu relevo privilegia a expansão horizontal da cidade. A construção de um “metrô”, seja ele de superfície (trens urbanos) ou subterrâneo, deve ser levada cada vez mais em consideração.

Se fosse aproveitado o antigo traçado da Linha Noroeste para a construção de uma malha metroviária – ao invés de uma larga avenida, como está sendo o caso da Via Morena – teríamos um tronco perfeito, ligando os extremos da cidade com maior densidade demográfica.

Um primeiro trecho poderia sair das Moreninhas, passando por bairros como Rouxinóis, Universitário, Dr. Albuquerque, Jockei Club, chegando ao Centro. Outro tronco, poderia ser feito aproveitando o leito da Avenida Norte-Sul, ligando os bairros Coophavila, Tarumã, Aero Rancho, Parati, Guanandi até o centro.

Um terceiro tronco, poderia sair do Nova Lima (futuro Shopping Iguatemi), passando por Nova Bahia, Mata do Jacinto, Parque dos Poderes, Shopping Campo Grande,  descendo pela Avenida Afonso Pena até o Centro. E o quarto e último tronco, poderia sair do InduBrasil (distrito industrial), passando pelo Nova Campo Grande, Aeroporto, Petropólis, Santo Amaro, Planalto até o Centro.

Em todo caso, fica registrado nossa sugestão para solucionar o problema do caos em Campo Grande. Desta forma, evitaremos no futuro (não tão distante), o estrangulamento do fluxo de veículos (a exemplo do que ocorre em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte); no presente, reduziríamos o número de motos (já que haveria uma migração dos trabalhadores para o metrô) e carros (o Parque dos Poderes representa 50% do fluxo de carros nos horário de picos) nas ruas, e consequentemente, cairiam o número de acidentes e vítimas fatais.

E não esquecendo, reduziremos também a emissão de poluentes, pois as pessoas passariam a deixar seus carros em casa. Campo Grande sofre hoje as consequências do efeito estufa: em dez anos, a temperatura média da cidade, saiu de 26º para 32º.

Ganha o meio ambiente, ganha a população, ganha o Estado. Todos saem ganhando com isso!


Fontes:

http://www.campogrande.news.com.br/canais/view/?canal=8&id=244304
http://www.campogrande.news.com.br/canais/view/?canal=8&id=244323

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5 Responses to “Comportamento: 2 motoqueiros mortos em menos de 24 horas”


  1. 23 de janeiro de 2012 às 13:33

    ROUPA DA ALMA

    Eu vi um corpo sem alma,
    Estava lá, no chão da rua,
    Numa estranha calma!
    Suas “partes íntimas” nuas,
    Sem de vergonha, sem pudor,
    Sem sensualidade, sem energia para o amor!

    Num acidente de trânsito,
    Pobre corpo – sua alma fugiu!
    Não o quis assim, sujo de sangue, amassada!
    Voou para longe – para “o outro lado!”
    Você, corpo sem alma,
    Cumpriu sua missão – merece palmas!
    Já sua alma do “outro lado”- terá calma?

  2. 23 de janeiro de 2012 às 13:37

    Este meu poema surgiu de uma inspiração subita, quando menos percebi, eu já o tinha escrito e após terminar eu ouvia uma voz na minha mente dizendo que ele é uma advertência ao periogo que ´é o transito em nosso pais.
    manoel de almeida — autor/poeta

  3. 10 de fevereiro de 2012 às 12:20

    INVASÃO EM DUAS RODAS

    Será um pesadelo? Para onde olho, vejo motos: Biiiiiii…!
    Moto à direita, moto à esquerda, moto à frente e atrás!
    Há um segundo retrovisor limpo… zoom: moto, moto…
    Moto agressiva, moto nervosa, moto sem educação…
    Moto louca, moto prepotente, moto ruidosa, moto…

    Deu-me passagem…? Moto…? Será Miragem…?
    Educadamente acenou-me …? Moto. Moto…?
    Máquina silenciosa…? Moto…? Sem pressa? Moto?
    Ah, existe moto do Bem…? Ainda bem! Moto… Bibibi
    Que pesadelo! É real? Moto… Zoom…Moto… Bibibi…!

    Opa, forçou a ultrapassagem: moto… Biiiiiiiii… moto…
    Um momento… no cruzamento… sangramento…?
    Ao relento, um corpo torto… morto: moto, moto,…

  4. 10 de fevereiro de 2012 às 12:22

    Esse poema sobre as motos, acho que é muito real, melhor ainda que ele não fala só dos maus motoqueiros, cita também mos bons.


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