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jan
09

Música: baixe “Pó pará com o pó” em exclusiva versão Remix

Jake,  a "Ivete Sangalo" dos católicos.Jake é sucesso absoluto na internet e disponibiliza o download gratuito de todas as súas músicas em seu site.

“Pó pará com o pó, pó para com o pó aê… ” vai ser, certamente, o refrão mais entoado pela galera durante o carnaval de rua em 2009! MZN News, com excluvidade, publicou esta previsão – que não tem nada de sobrenatural!

Jake já é um rosto “conhecido” no gueto da música católica, assim como, o Padre Fábio de Melo. Porém sua “descoberta” pela galera da Internet, graças ao seu vídeo no YouTube e uma “forcinha” dada pela galera do Pânico na TV, era o que faltava para dar um impulso à sua carreira. Muita gente dentro dos umbrais da música católica critica o trabalho de Jake – cada um tem o direito de achar o que bem entende. Gostos musicais não se discutem, mas preconceitos, sim!

Como um agnóstico analisando o trabalho de Jake, então, espero ser o mais imparcial possível: o que ela está fazendo, é digno de aplausos e reconhecimento.

Em primeiro lugar, ele ousou ousar! Para aqueles que acreditam que pra “falar de Deus, tem que ser tocando músicas em andatto solenessimo, com arranjos vocais para quatro naipes e letras fidedignas à liturgia e doutrina romana“, certamente imaginar que um refrão como “pó pará com o pó, pó pará com o pó aê”, não leva ninguém nem a Deus, nem a lugar nenhum, a não ser, ao banco de uma escola para ter aulas intensivas de português, certo?

Em segundo lugar, ela ousor “baianizar-se” mesmo sendo paulistana “da mooca”, quer dizer, da gema. E a produção de seu disco, feita por um gravadora católica (aqui, abro um parênteses: a gravadora chama-se Codimuc, e Jake foi descoberta pelo dono da Índie, Eraldo Matos e pelo meu amigo André Simão!), que sabendo que dentro do gueto musical católico, não teria músicos competentes para dar “o tempero baiano” necessário, não exitaram em ir buscar na Bahia, o produtor e a maioria dos músicos que executaram os arranjos. Ficaram perfeitos.

Em terceiro lugar, a Codimuc ousou lançá-la, logo de prima, num CD “ao vivo”. Tudo bem, que para isso, foi utilizada a mesma “técnica de gravação” que consagrou o Padre Marcelo Rossi: grava-se primeiro, em estúdio, toda a parte instrumental e backing vocals;  depois, leva-se o playback à um lugar cheio de gente (no caso, o novo “rincão da Canção Nova”, com mais de 40 mil pessoas), espalhando-se vários microfones entre a platéia para captar o som ambiente… por fim, coloca-se uma cantora animada, que mesmo pulando e dançando em cima de um palco, consegue manter a afinação e a emoção na sua interpretação e fazer a galera cantar junto… e vouis a la. Está pronto um CD ao Vivaço!

Em quarto lugar, esse CD foi lançado há mais de dois anos. Justiça seja feita, eu jamais vi as músicas de Jake serem tocadas “em missas” ou “carnavais com cristo” que eram exibidos em TVs Católicas. Vi sim, alguns outros artistas, digamos, figuras mais conhecidas da galera… sacam? Tipo assim: imaginem colocarem Dorival Caymmi para cantar em pleno Trio Elétrico, no circuito Barra-Ondina? Então, então… mais ou menos isso acontece nos eventos católicos para jovens. Não de se admirar que o pessoal prefira ir pra… pra… pra Carnaval de rua mesmo! He he he

E em quinto lugar, graças à um vídeo no YouTube (ó, São Google… rogai por mim) e a velha propaganda “boca-a-boca” (quer dizer, email-a-email, msn-à-msn, orkut-a-orkut) Jake se tornou uma ilustre desconhecida e famosa! Só faltava aparecer em rede nacional: e o Pânico tem todo o mérito nesse ponto. Quem diria que um programa que só sabe esculhambar e avacalhar, faria alguma coisa de útil, né?

Pó pará com o pó tem tudo para ser “Mais do que uma música de Carnaval”: deve marcar definitivamente uma geração de pessoas (jovens, hoje… adultos, amanhã; pais, num futuro não tão distante; e avós, num futuro distante ou ainda, que sequer, possam chegar lá vivos, né?).

Pó baixá u som, pó baixá u som akê

Ok. Ok. Chega de enrolação. Segue o link para baixar o MP3 de Pó Pará com o Pó, em uma versão remix:

download

Axé! Nós temos “bananas”!

Eu, particularmente, odeio axé e pagode baiano. Mas não deixo de reconhecer o mérito da “música baiana” no contexto cultural brasileiro: Salvador sem dúvidas se tornou mais um “pólo exportador” de talentos musicais, rompendo o chamado “eixo Rio-São Paulo”.

Se num passado não tão distante, a genialidade de Gilberto Gil,  a explosão de Gal Costa, a eloquência dos filhos de dona Canô, Caetano Veloso e Maria Bethânia, foram peças importantes na engrenagem da construção dessa máquina chamada MPB – Música Popula Brasileira, alguns anos depois, outro movimento migratório-artístico chamado “Tropicália”, serviu de ponte entre a “Jovem Guarda” para a nova música dos anos 70/80: uma mistura de rock, cultura hippie e disco. E de lá vieram Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Moraes Moreira e Cia Ltda.

Após um hiato de uma década (os anos 80) – que ficou consolidada como a “era do BRrock, o Rock Brasileiro – onde Brasília e Porto Alegre se tornaram pólos alternativos de exportação de talentos regionais para o restante do Brasil – que o digam Legião Urbana, Capital Inicial, Engenheiros do Hawaii, entre outros tantos – a Bahia permaneceu silenciosamente quieta.

Seguiu-se à decada de 90, com o surgimento do “sertanejo pop”, onde Goiás se consolidou como o novo pólo de exportação de novos talentos musicais: até hoje, talvez, Goiânia seja a cidade com maior concentração por Km² de duplas sertanejas! E de lá vieram Leandro & Leonardo, Zezé di Camargo & Luciano, Bruno & Marrone, Rick & Renner… todos na cola do sucesso de Chitãozinho e Xororó.

Quando todos achavam que o Sertanejo iria suplantar a música popular brasileira – nessas alturas, uma das maiores intérpretes de MPB, Fafá de Belém, “teve peito” suficiente para gravar um disco só com petardos sertanejos, e pasmem, foi um dos álbuns que mais venderam cópias naquela época – surgiu um novo movimento: o pagode!

Sim… Raça Negra, Grupo Raça (que não tem nada a ver com o primeiro, que ficaram conhecidos gracás àquela música “O seu chamego é um xodó, o seu xodó me faz um bem”), Osmarrom-bombomMorenos, Grupo Molejo (aquele, da vassoura e da brincadeira de criança. como é bom, como é bom), o Negritude Netinho ChorãoJúnior (os que tavam chegando na Cohab, pra curtir a galera e tomar Danoninho… mas que o Netinho deu um safanão no tadinho, do Vesguinho… legal: rimou!).

Parece que tudo voltou a ser como antes: o velho eixo Rio-São Paulo parecia ter monopolizado a criação e lançamento de novos artistas (pagodeiros e sertanejos, bem friso). Mas eis que só pra contrariar, os mineiros (com sua fama de comerem quietinho, só pelas beiradas), invandiram de vez a Música Popular Brasileira, atacando em todas as frentes: no pagode, SPC (from Berrrlândia); no pop, PatoFú (a gracinha da Fernanda Takai); no reggae, depois pop, depois rock, e hoje em dia, flertando com o rithm n’ blues, Skank (cujo nome remente à ervinha danada, o que tinha mais a ver com a primeira fase da banda, saka?).

Pronto, o que era um “eixo” virou um “triângulo”: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Aí, os baianos acordaram do sono e descobriram que poderiam ganhar dinheiro, unindo o útil ao agradável: fazer o que mais gostam (festar) com o que melhor sabem fazer (música). Aproveitando a onda do pagode, lançaram um ritmo ao qual chamaram de Axé Music (uma referência à saudação do Candomblé). Há quem diga que na verdade, “Axé Music” acabou se tornando apenas ‘um rótulo, uma marca, uma etiqueta” que é aplicada à toda e qualquer música contemporânea que seja Made in Bahia.

Parece fazer sentido: porque Araketu soa para mim uma The Commodors abaianada (já notaram que os maiores sucessos de Tatau e Cia são justamente, as músicas melosas???); já Asa de Águia, Chiclete com Banana, Banda Eva, Banda Cheiro de Amor, Banda Mel, Babado Novo, Olodum, Tchakabum, Gerasamba, TerraSamba, É o Tchan, etc… como podemos dizer? Ah…  são “franquias”, tipo Bobs, McDonalds, Giraffas de música baiana, saca?

O que essas bandas oferecem é tudo igual, genérico. Sempre a mesma coisa; só mudam as músicas (quer dizer, as letras, porque a progressão de acordes e melodias, parecer ser idênticos: G Em Am D7, ou qualquer variação de tonalidade que você queira tentar).  Se “o cardápio musical” aparentemente, é igual e genérico, o que muda de vez em quando, são os os garçons e garçonetes que nos servem! 😀

E daí surgiram Ivete Sangalo (a semi-quase-deusa-onipotente-onipresente-oniciente); a Claudinha Leitte (a versão blonder de Ivetinha, porém, MUUUITO mais bonita, simpática, gostosa e menos pretensiosa… porém, parece que temos mais um caso de mudança no nome, por motivos numerológicos?); Netinho (não o chorão, de sobrenome di Paula, que cantava no Negritude Jr, que largou “os manu du gueto” para virar apresentador de TV e depois político, sem antes, deixar de dar uns safanões no pé-de-ouvido de um repórter de TV… mas sim, daquele que cantava “Milla… mil e uma noite de amor com você” e que recentemente citou Renato Russo em uma entrevista, ou disse que “Acho que gosto de São Paulo, gosto de São João, gosto de São Francisco e São Sebastião… e eu gosto de meninos e meninas… Uuuuia! Nóóóóóóffaaa… bem que eu desconfiava disso, faz tempo: aquele corpinho saradinho, aquele lencinho na cabeça, sei não).

Ah sim. Já ia me esquecendo: graças à eles, os baianos, é que termos como micareta, trio elétrico e abadás se tornaram termos conhecidos e adotados Brasil afora. Ah sim, sabiam que até mesmo o grupo sul-mat0-grossensse Tradição (aquele que canta com o Bruno & Marrone, o “Tá pegando, tá pegando, esse tempero ninguém viu… é som que contagia os quatros cantos do Brasil”, saca?) resolveu entrar na onda e gravaram um DVD chamado… chamado… Micareta Pantaneira?

Hmmmm… de certo, o povo achou que iam montar uma Chalana Elétrica e seria gravado em pleno Rio Paraguai, com o cordão de foliões usando coletes-salva-vidas no lugar de abadás? Ah sim: os “pipocas” teriam que curtir da beira do rio… só aqueles que quisessem correr o risco de se afogarem, ultrapassariam o cordão de isolamento, né? Cara… que cena surreal! He he

Enfim. Palmas para os Baianos, pois conseguiram romper o triângulo e inserirem definitivamente a sua soterapolitana capital, como um dos pontos que fomam, agora, o “polígono cultural brasileiro”: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Goiânia e Salvador.

Algumas outras cidades parecem querer romper a barreira e se tornarem ponto de polígono disforme – afinal, com o quê se parece: quadrado? pentágono? hexágono? Ou porra nenhuma?

Enfim: Belém (PA) com sua irritante Calypso, parece correr por fora; na verdade, Joelma e Chimibinha (o casal Calypso) se mudaram para Recife (PE), que por sua vez, é o reduto de Alceu “Morena Tropicana” Valença e Reginaldo “Garçom” Rossi (deste último, sou fã confesso!).

Campo Grande (MS), parece querer destronar Goiânia do título de “capital com maior concentração demográfica de duplas sertanejas por km². Já não bastasse nós termos roubado dos gaúchos a música… gáucha (afinal, o Tradição começou imitando Os Tchê Garotos, que hoje em dia copiam quem? Os meninos do Tradição). Agora queremos roubar o sertanejo universitário, e pior, que temos uma dupla que faz parte do “Top Five” das duplas desse gênero: é JB & V, digo, João Bosco & Vinicius, que ao lado de César Menotti & Fabiano, Victor & Léo, João Pedro & Cristiano e Fernando & Sorocaba formam a “Tropa de Elite” do Sertanejo Universitário.

Bom. Fico por aqui. Nessas alturas vocês já devem ter terminado de baixar a música da Jake. Aproveito para dizer que não cometi pirataria, pois a própria cantora oferece todas as músicas de seu primeiro disco para download gratuito em seu site!

Aproveitem! Eu já baixei… só falta eu achar o CD Original, porque, faço questão de tê-lo, pois daqui há alguns anos, certamente se tornará uma raridade tão grande, quanto o compacto do Abysintho. Peraê: não sabe quem foram eles? E se eu falar do Ursinho Blau Blau? Ah… daí vocês lembram, né?

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4 Responses to “Música: baixe “Pó pará com o pó” em exclusiva versão Remix”


  1. 1 Henrique
    27 de janeiro de 2009 às 19:19

    Num ta funcionando o link =/

  2. 2 teamajormar
    27 de janeiro de 2009 às 20:57

    Henrique,

    No site oficial da Jake você pode baixar a versão remix e todas as faixas do CD dela.

    Ok? 😉

  3. 14 de março de 2009 às 18:21

    Baixei algumas musicas da Banda Mel (Bamdamel) Lá no site deles
    www . bamdamel. com . br, amei as musicas na voz de Robson Ciolle
    voz linda a dele e os sucessos nem falo! aff.. Amo Banda Mel e
    sou apaixonada por Ciolle, baixei no emule melhores do carnaval
    2009 tem uma musica dele linda.. m fz sonhar


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