13
jan
09

Teatro: Como passar num concurso?

quem é o padroeiro dos concurseiros?
Willian Douglas ou Jesus Cristo?

Em tempos de crise e desemprego, concursos públicos se tornaram um bom negócio para muita gente!

Eu trabalho em um banco. Na abertura de uma conta corrente, é sempre exigida a comprovação de rendimentos. O que poderia ser apenas uma “simples formalidade burocrática”, acaba se revelando, um retrato da atual sociedade brasileira.

Quando eu e meus colegamos perguntamos: “Profissão?”, a maioria resposta “Sou autônomo”, o que pode significar umleque de probabilidades, que vai de camelô à prostituta, passando por mecânico, pedreiro, encanador, eletricista, etc. .

A segunda resposta mais ouvida, quando perguntamos sobre profissão é: estudante. Sim, não estou falando apenas dos “universitários”.

Muita gente, após concluir o nível superior, depara-se com um quadro desolador: a vida real, do lado de fora dos umbrais das faculdades, é bem mais cruel do que os professores faziam crer (isto é, quando se falava nisso, porque na maioria dos cursos, ninguém se lembra que depois de 4 ou 5 anos, o curso acaba né?).

Para aqueles que, em busca do sonho de fazer uma faculdade, não obtendo aprovação em uma universidade pública , restando-lhes somente a opção de cursar uma faculdade particular, não tendo condições financeiras de pagar suas mensalidades, acabaram contratando um Financiamento Estudantil. Pior besteira que fazem…

Quando se formam, tem que começar a pagar o financiamento depois de apenas 6 meses após a conclusão do curso (dica de português: de acordo com a Revisão Ortográfica, o verbo TER, no presente do indicativo, prescinde do acento circunflexo (^) na 3ª pessoa do plural… pegadinha em concursos!). Muita gente acaba aceitando qualquer emprego, só pra poder pagar a dívida…

Já quem teve a sorte (e o mérito, por que não dizer isso?) de cursar uma universidade pública gratuita ou ainda, de cursar uma faculdade particular, subsidiada com bolsa de estudos (que foi o meu caso), pode se dar ao luxo de, após concluir o Ensino Superior, dedicar-se à carreira de concurseiro profissional (o que não é o meu caso… infelizmente!.

Concurseiro é uma profissão que exige dedicação, esforço, disciplica e sacrifício. Olhando desse ponto de vista, eu diria até, que ser concurseiro é uma vocação quase religiosa. O sujeito tem que ter hora para acordar (cedo, de preferência) e uma boa (e longa) noite de sono: tudo para equilibrar o seu organismo e deixar seu cérebro, sempre em ponto de bala.

Há também, a disciplina. Ter horários definidos para estudar é fundamental e imprescindível. A rotina leva a perfeição… ooops, digo, à aprovação!

Tem quem prefira estudar sozinho: para isso, é importante a pessoa ter muita força de vontade e uma capacidade de concentração incrível. Porém, cada um desenvolve sua técnica de estudos individuais. Há os que preferem ir para o conforto (??) de uma biblioteca silencioso ou os que conseguem estudar, ouvindo música e correndo na esteira (????). Eu, particularmente, gosto do método esquizofrênico: falar em voz alta, andando de um lado para o outro da casa. Para isso, morar sozinho faz parte dos meus planos em 2009.

Agora, para quem não tem esse “dom da auto-instrução”, tem à sua disposição uma gama de cursinhos preparatórios para concursos! É isso mesmo: o lance é seguir a lógica. Se a maioria que se dá bem no mercado profissional, são formados em universidades públicas conceituadas, que por sua vez para serem aprovados, tiveram que se submeter à vestibulares difíceis e concorridíssimos, que para conseguirem êxito na empreitada, recorreram aos preparatórios… por que não fazer o mesmo, agora, depois de formados?

A carreira jurídica é a que mais desperta interesse das pessoas – por mais que 90% dos interessados sequer possuem vocação para serem advogados, juízes, promotores, delegados ou até mesmo, funções de auxiliares da Justiça). Existem vários “gurus”, que de tanto darem aulas em preparatórios, acabaram lançando seus próprios cursinhos. Mas existia um porém: quase sempre, esses preparatórios localizavam-se em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte…

Mas existe internet e satélite pra quê? Eis que nasceu a geração dos EAD – Educação À Distância. Consiste numa fórmula relativamente simples: um brilhante e eloquente professor, dá sua aula empolgante, em um estúdio ou numa sala de aula, sendo filmado e sua imagem transmitida via satélite. No outro lado da tela, várias “franquias” do cursinho, possuem salas de video-conferência, com carteiras e onde os alunos assistem ao “Show de Aula” e enviam suas perguntas via-emails, que são respondidas ao vivo ou por escrito.

Foi assim que os professores Damásio de Jesus, Alexandre de Moraes, Luis Flávio Gomes, Marcato e Willian Douglas se tornaram os “Profetas do Conhecimento”. Aliás, o último citado, é considerado um verdadeiro Jesus Cristo, uma espécie de Mestre, o Salvador para os Concurseiros.

O “rabi” ocupa atualmente o cargo de Juiz Federal da 4ª Região – digo “atualmente”, para enfantizar a biografia do ilustre magistrado, que não parece não ter qualquer constrangimento em admitir seu dom para ser aprovado. Douglas, se tornou um palestrante, professor e escritor de livros direcionados à concurseiros (é claro!) tão conhecido, que já virou verbque na Wikipedia!!! Sem qualquer falsa modéstia, em suas biografias e textos, ele se gaba de ter sido aprovado em diversos concursos… quase sempre, em primeiro lugar!

Se você achou que essa história de concurso, já tinha rendido ($$) tudo que poderia render ($$), eis que uma companhia teatral de Brasília, lança a peça Como passar em concurso público, que atualmente está em cartaz no Teatro Gazeta, em São Paulo.

Entre um diálogo e outro, algumas “dicas de ouro” para os concurseiros se destacam. Em especial, uma: troque sexo por estudo! Existe divergências sobre a eficácia de tal dica. Mas se você pensar que ser concurseiro é uma vocação religioso (tipo assim, igual a ser um Padre ou Pastor), o “celibato sabático” não é uma coisa absurda. Pelo contrário, a abstinência sexual (e de todas as outras práticas diretamente ligadas à ela, como sair para baladas, beber, etc) ajuda o concurseiro à manter o foco em seu objetivo principal: a aprovação!

E a abstinência sexual, não deixa de ser, uma espécie de “investimento” com retorno à longo prazo: se hoje você é um fudido e mal pago, desempregado, sem dinheiro nem tempo para sair e conquistar suas gatinhas, pense comigo. Tudo mudará, quando você virar um Juiz, Promotor, Delegado, Policial Federal… pelo menos, em tese!

Enfim. Fica aqui uma sugestão para quem mora em São Paulo (SP) e região, e é leitor deste blog de um sul-mato-grossense que mora em Campo Grande, e que, infelizmente, não tem a oportunidade de ir ao Teatro com a regularidade que gostaria!

Entendendo o que é o FIES

O FIES – Financiamento para o Estudo Superior, não é uma bolsa de estudos: é um empréstimo, como outro qualquer! Para quem já tem um emprego estável e decide fazer uma faculdade, eu sempre sugeria no banco, que ao invés de contratar um FIES, que fizessem um generoso empréstimo consignado em folha e fosse na faculdade, e pagassem à vista o curso todo, exigindo um descontaço.

O fato é que o FIES é um financiamento, e como todo contrato de empréstimo, existem as figuras do credor (no caso, a Caixa Econômica), do devedor (no caso, o estudante) e do fiador (quase sempre, os pais, avós ou tios mais confiantes e com condições de segurarem o rojão). Existe também o capital (o valor emprestado), taxas de juros (é claro… ninguém empresta dinheiro sem cobrar uma porcentagem em cima disso), a carência (a partir de quando o empréstimo começará a ser pago), as parcelas e o sistema de amortização (que pode ser a famosa tabela Price ou o SAC, Sistema de Amortização Constante… mas tanto faz, sendo uma ou outra, quem empresta sempre se fode!).

Aqui começa o dilema: quem faz o FIES, tem menos de 2 anos de carência, para começar a pagar o financiamento… daí já viu: sem emprego na sua área de formação, acaba indo trabalhar de garçonete de fast-food, operador de telemarketing de operadora de celular, vendedora balconista de lojas de roupas… e bancário (como é meu caso).

É isso aê… Willian Douglas, rogai por mim!


Quer saber mais sobre a Peça de Teatro?

Quer saber mais sobre Willian Douglas:

  • No Site Oficial: a home page do juiz-guru-salvador-partidão com informações completas sobre seus livros, palestras e sua biografia (apenas da vida profissional! lá não fala nada sobre sua vida pessoal, viu, mulheres?)
  • Na Wikipedia: se seu nome virou verbete na maior enciclopédia virtual… sim, você é uma celebridade!
  • No Orkut: a maior comunidade dedicada à ele, “o mestre”, que segundo a descrição do criador da mesma, essa comunidade  foi criada “para aqueles que tiveram suas vidas mudadas ao conhecerem o grande jurista e escritor William Douglas“. Se você ainda não leu (nem comprou! $$) nenhum livro dele, nem foi a uma palestra para assisti-lo ($$$) e sua vida ainda não foi mudada (–$) não entre!

Quer descolar um Estágio, Financiamento ou Bolsas para Universitários?

  • ProUni: o programa do Governo Federal para bolsas à “pobres, negros, índios e ex-alunos de escolas públicas”.
  • FIES: o programa do Governo Federal para financiar os estudos superiores daqueles que “não são pobres, negros, índios ou ex-alunos de escolas públicas”, que não tiveram a capacidade de passar numa Federal ou Estadual!
  • ENEM: Exame Nacional do Ensino Médio, uma espécie de “vestibular alternativo”, pré-requisito obrigatório, para quem quer pleitear bolsas pelo ProUni.
  • IEL: Instituto Euvaldo Lodi, braço do “Sistema S” (Sesc, Senai, Senac, Senar, Sesi), destinado à recrutar e encaminhar estagiários para o mercado de trabalho (ou em outra visão, num regime de semi-escravidão)
  • CIEE: Centro de Integração Empresa-Escola, é um “IEL”, só que mantido pela iniciativa privada (tipo assim: as Associacoes Comerciais e Industriais).
  • ABRE: ao contrário do IEL e CIEE, a ABRE não é uma ONG, e sim, uma empresa especializada em selecionar, recrutar e encaminhar estagiários para empresas conveniadas.
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1 Response to “Teatro: Como passar num concurso?”


  1. 1 ludmila
    14 de abril de 2010 às 18:32

    Gostaria de saber se você sabe quem foi o promotor de eventos que trouxe a peça para Campo Grande? Se puder ajudar me mande o contato.
    Encontrei apenas o n° para contato 3326-0105, mas ninguém atende.
    Obrigada


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