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jan
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Televisão: Racismo na “A Praça é Nossa”

Eu cresci assistindo “A praça é nossa”. Antigamente, a “Praça” passava no sábado à noite, antes do “Viva a noite” (se você se lembra disso… é amigo(a)… você já tá beirando os 30!).

Naquela época, havia uma plêiade de quadros, esquetes e personagens engraçadíssimos: a Velinha Surda (a versão brasileira e feminina de Mr Magoo?) e o Explicadinho e Philadelpho (Fifi, como era chamado pelas gostosonas que contracenavam com Rony Rios, que interpretava todas as personagens. 

Passaram pelo banco da praça outras personagens (e seus[as] intérpretes) tão engraçados quanto, ou ainda, não tão engraçados mas que marcaram: como a Catifunda (eu não achava graça naquela mulher mal humorada e que ficava baforando um charuto), Filó (insuportável… sem comentários), Nobre Colega (acho que era aquele que entrava batendo o tambor???), Batoré (tão insuportável quanto a Filó!), Cremilda (interpretada pela saudosa Consuela Leandro), Fifa (que contracenava com Fifo, o Philadelpho, interpretada pela ambundante Edna Velho, que deixa a Mulher Melancia no chinelo!)… enfim. Se quiser lembrar das personagens que marcaram época no velho banco da Praça, acesse o link no final da matéria, ok?

Sigamos. Eu estava pronto para sair de casa, matando um pão-com-mortadela e resolvi assistir um pouco da Praça é Nossa. Começou o quadro do tal Paulinho Gogó (só procurei saber o nome dessa personagem, agora, para escrever este post… porque até então, ignorava por completo sua existência sobre a face deste planeta)…

Tenho dois parênteses à fazer: o primeiro é que eu não negro. E odeio essa coisa de preconceito racial, de “subestimar” a capacidade de certos seres humanos, simplesmente, pela quantidade de melanina em sua epiderme. Cotas raciais? Besteira, absurdo… fisiologismo político! Portanto, não estou aqui falando apenas por falar… é porque, mesmo não sendo um negro, eu me incomodei com o que eu vi e ouvi.

O segundo, é que esse quadro, já existe há algum tempo na Praça. Não sei precisar quantos anos, exatamente, mas sei que são vários… E ele nunca foi um quadro, digamos, “óoooh, que engraçado”… Mas, por alguma razão, dessas que a gente só pode encontrar explicação, naquela velha história do “estender-a-mão” para um artista que está no ostracismo, esse quadro teimosamente, insiste em permanecer no humorístico, ainda que passe algumas temporadas sem ser exibido.

Hoje, então, eu ouvi este diálogo – que eu corri para frente do meu notebook para digitá-lo antes que eu esquecesse! – que reproduzo agora:

“(…)
Paulinho Gogó (PG): – Ah, a minha nega trabalhava la no Circo do Beto Carrero

Carlos Alberto Nobrega (CAN): Ah é? Ela era ajudante de mágico, assistente de palco?

PG: – Não… ela limpava a caca dos elefantes.

CAN: – Ah sim…

PG: – E a gente só se via a distância…

CAN: – Por quê? O pai dele era muito bravo?

PG: – Não… por causa da catinga… ela fedia mais que saída de baile funk”

A personagem “Paulinho Gogó”, por si só, é uma caricatura mal feita de um típico malandro, que se veste com roupas extravagantes (calça branca e camisa vermelha??), que não tem profissão definida (ele só vive sambando?) e que é… mulato?

Daí, você vê um mulato falando de uma certa “nega”. Até aqui, tudo bem: eu tenho casais de amigos brancos, que se chamam carinhosamente, de nego e nega. Não viria mal algum.

Prossegue o diálogo, dizendo que a tal “nega” trabalha no Circo do Beto Carrero: para quem não sabe, o complexo do Beto Carrero World fica localizado na cidade de Penha (SC), próximo à Balneário Camburiú. Santa Catarina é um estado com forte imigração européia, fato que acabou determinando, que a grande maioria dos habitantes de lá, são brancos ou pardos.

Por que então, em um lugar, onde justamente a maioria da população é iminentemente branca/parda, uma negra tenha ficado com o emprego de catar-cocô-de-elefante? Não que seja indigno tal profissão, mas… dentro desse contexto, por que não uma loira dos olhos azuis?

E vai além: por que só a nega fede? E pior: fede mais que saída de baile funk!

Ou seja: o cara deliberdamente foi racista. Não sei quem escreve os diálogos, mas certamente, o fez deliberdamente com o intuito de comparar Santa Catarina com as comunidades pobres do Rio de Janeiro: Penha é linda, Rocinha fede!

Ou alguém tem dúvidas que a grande maioria dos frequentadores de baile funk são negros, pobres e moradores de comunidades carentes situadas nos morros cariocas?

Enfim. Não gosto de funk, mas nem por isso, me deu ao direito de dizer que quem vai em tal lugar “fede”. Gente fedorenta tem em todo lugar… desde bancos de missas à teatros e cinemas chiques.

Ter higiene e ser limpo, não é questão de “pele”: é de educação! Por isso, sou contra cotas raciais ou sociais. Vejam bem esse exemplo: à tirar por quem escreveu esse diálogo, podemos concluir que qualquer um, com um pouco mais de instrução, poderia ter escrito algo MUITO MELHOR, MAIS ENGRAÇADO e SEM PRECONCEITOS!

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16 Responses to “Televisão: Racismo na “A Praça é Nossa””


  1. 1 FLABIO
    23 de janeiro de 2009 às 13:43

    É com piadas que o racismo se insinua e se perpetua, porque fica mais “aceitável”. Qualquer coisa, é só dizer: era só brincadeira.

  2. 28 de outubro de 2011 às 10:01

    tem ranzao ,eu tanben nao gosto dele , ele fala coisas ruins sobre mulheres negras,

  3. 3 Ansgar Amorim
    7 de maio de 2012 às 10:08

    Não vejo nada de racismo nessa piada!!
    Primeiro que os bailes funks hoje em dia estão cheios de pessoas brancas,
    as vezes mais que negras!
    Segundo que ele não se dirigiu diretamente a uma raça específica.
    Terceiro: piada é piada!
    Se fosse assim seriam proibidas piadas de português q é burro!
    De japonês q tem pinto pequeno; e aí vai.

  4. 4 João
    11 de maio de 2012 às 00:06

    Este texto não tem embasamento nenhum. Simplesmente procura “chifre em cabeça de cavalo”. Não existe nenhum racismo, é apenas uma piada.

  5. 5 Danilo
    2 de julho de 2012 às 18:43

    Umas das maiores besteiras que eu ja li… perdi minutos preciosos

  6. 6 Cacá
    24 de julho de 2012 às 23:01

    Também não vi racismo algum. Agora é moda achar que tudo é racismo igual fizeram com o Alexandre Pires. Acho ele muito engraçado sim e criativo sempre tirando risadas com suas histórias e seu jeito engraçado de falar tudo errado.

  7. 7 thais
    18 de agosto de 2012 às 01:05

    KKKKKKKKKKKKK tem q rir!!!! Racismo, cadÊ? Isso e falta do q fazer!!!

  8. 8 david
    28 de novembro de 2012 às 10:17

    Racismo é o que a tv faz em um modo geral,vcs ja prestaram atenção nas propagandas,todas são com gente branca para não manchar a imagem,os programas de palco da nojo, só gente branca e mulheres com pernas sarada de rã, quando aparece o negro não dão close no mesmo, passa muito rápido na cãmera. Sabe quando o neguinho aparece? quando rouba,quando passa fome,quando finge que ganhou um carro em algum sorteio,quando as ong’s pedem dinheiro. Tem empresas que colocam as pessoas de cor em suas propagandas,mas são as selecionadas,por exemplo a dolly,a oi. Nesse momento estou assistindo ao programa da Fátima Bernardes e só vejo pessoas brancas na platéia será coincidência ou verdade em resumo as minhas palavras? Quanto ao Paulinho gogó,eu acho que é apenas uma forma carinhosa de expressar o personagem batizada de ”nêga jujú”,quantos por aí dizem eu te amo nega,neguinha,preta,pretinha. Concordo na parte em que ofende a pessoa insinuando a forma da mesma portar um odor mais forte, que é a caracteristica do ser humano de cor escura, brancos também cheiram mal, é só se descuidarem.

  9. 9 nelson santos
    17 de agosto de 2013 às 17:28

    cara como e que tu tira nosso tempo pra ler uma babaquiçe dessas tu e um glsc que nao entende nada de racismo se tu nao gosta do progama pq assiste emtao?
    vai procurar oque fazer rapaz acho com quem esta com preconceito aqui e vc jugando um dos maiores fenomenos da praça e nossa depois da velha surda

  10. 10 ANDERSON RIBEIRO
    7 de janeiro de 2014 às 11:50

    AGORA COM QUALQUER COISA AS PESSOAS SE SENTEM OFENDIDO NAO TEM NADA DE RACISMO NISSO AI ELE SEMPRE FALA DA MULHER DELE NA PRAÇA QUE SE CHAMA NEGA JUJU,PARA MIM HOJE PAULINHO GOGO É O MELHOR PERSONAGEM DA PRAÇA,QUANDO NÃO ASSISTO NA TV SEMPRE VEJO PAULINHO GOGO NO YOU TUBE.

  11. 11 Merda
    22 de janeiro de 2014 às 21:51

    Não conheço você que escreveu o artigo, mas certamente você é um babaca que não tem o que fazer. Seu artigo é completamente vazio, não tem sentido algum no que você está denunciando. Primeiro porque é só uma piada, segundo porque o Gogó é o melhor comediante da praça, terceiro porque se você tá se ardendo por causa do conteúdo da piada, você é que tem preconceito na sua visão, eu não vi preconceito em dizer que “alguém” limpa cocô de elefante no circo (Nega Juju é o nome da mulher dele, podia ser qualquer outro nome, iria implicar em outro tipo de preconceito, daí, ou seja, tanto faz o nome dela, você iria enxergar racismo onde não existe).
    Agora, o que me intriga é: por que atacar grátis alguém que você nem conhece? Pra que ser contra o Manfrini (nome real do Paulinho Gogó)? O que ele te fez? O cara é de boa.
    Vá arranjar o que fazer, brother. Pelamordedeus, você devia tar levando a sério a política, porque essa todo mundo devia levar a sério e leva na brincadeira… inversão de valores imbecil.

  12. 12 Lucas
    8 de maio de 2014 às 23:55

    Vc precisa sinceramente ocupar sua cabeça….esta vendo coisa demais onde não existe. Infelizmente os brasileiros, principalmente na internet adoram fazer barulho e causar polêmica com qualquer coisa.

    Resultado, mente desocupada trabalha demais a imaginação.

  13. 13 Alexandre
    25 de julho de 2014 às 00:25

    Difícil um branco entender o racismo , mas sendo humano é mais fácil………………..

  14. 14 Emerson
    28 de outubro de 2014 às 16:40

    Só vi o seu racismo neste texto!

  15. 15 Tony Santos
    17 de janeiro de 2016 às 16:12

    Nunca gostei desse personagem Paulinho Gogó, é muito chato e o pior só anda com aquela roupa ridícula calça branca e camisa vermelha, corrente, anel e relógio dourado; é a cafonice em pessoa, a voz, o sotaque dele são insuportáveis. O único quadro que eu ainda curto é o Faltas Horas, o resto é água com açúcar.


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