05
fev
09

Livros: A vida secreta de Mel Gibson?

O livro está fora de catálogo... disponivel apenas em Sebos

O livro está fora de catálogo... disponível apenas em Sebos

Depois do retumbante sucesso – de críticas e polêmicas – que A paixão de Cristo causou, tanto na imprensa, quanto nos fãs, Mel Gibson se tornou um mito… muitas lendas começaram à circular, envolvendo o ator/diretor/executivo e sua família.

Que A paixão realmente causa uma certa catarse em quem assiste, é inegável… livros e documentários foram escritos e filmados sobre o filme de Mel, tentando enxergar nele e em sua obra, algo de oculto e secreto.

Começou então a circular na internet, uma corrente de e-mails, com uma animação em Power Point, dizendo entre outras coisas, que Mel teria o rosto deformado quando jovem, que era super católico e sua filha mais velha havia entrado num convento…

Numa tarde dessas, entrei num Sebo e achei este livro: Mel Gibson – A história secreta, de Wensley Clarkson, editado no Brasil pela Editora Best Seller. De secreto, o livro não traz nada…

O autor é um jornalista especializado em celebridades. Fez um trabalho obstinado de pesquisas em jornais, revistas, aparições em TV, entrevistou familiares, amigos, vizinhos, conhecidos… enfim, fez aquela investigação sensacionalista, que muitas vezes, expedientes como “revirar a lata de lixo” para encontrar algo, são válidos.

Para começo de conversa, o livro pretende ser uma biografia. Obviamente, não autorizada e não oficial. Por isto mesmo, carece de historicidade, pois não ouviu o outro lado da história: o lado do biografado.

E o livro é antigo, tanto que está fora de catálogo, estando apenas disponível em Sebos. Foi escrito e lançado quando Mel beirava os 40 anos de idade. De lá para cá, muita coisa aconteceu na vida de Gibson: os dois Oscar‘s por Coração Valente (Braveheart, 1995) e o polêmico A paixão de Cristo (The Passion of the Christ 2004).

A título de curiosidade: o título em Portugal de Braveheart foi “O desafio do Guerreiro”. Os portugues são conhecidos pela total falta de tato e insight na hora de traduzir títulos de filme, cometendo erros escatológicos, como traduzir “The war of the Roses” como “A guerra das rosas” – ao passo, que no Brasil, foi traduzido corretamente como “A Guerra dos Roses”.  Coisas de português… depois não querem que façamos piadas sobre eles!

Voltando ao livro, o autor – não sei se o original (em inglês) é assim, ou se o pecado foi do tradutor – opta em aplicar uma linguagem e jargões mais jornalísticos (na tentativa, infrutífera, registra-se, de deixar a leitura mais leve), e deixou as notas de rodapé (que poderiam ser ilustrativas, na mesma página onde aparece determinada menção àquele fato, personagem ou termo) para o fim do livro.

Enfim, o resultado é um livro denso, prolixo e de certa forma, com uma leitura arrastada. A impressão é que você anda em circulos e a história não se desenvolve, pois o autor sempre “abre ganchos” e se você não tiver uma boa capacidade de percepção, facilmente se perde na leitura.

Ah, sim! Quanto ao titulo do livro –  “A vida secreta” de Mel Gibson – soou pretensioso demais. O autor não traz nada de relevante sobre a biografia de Mel, do que habitualmente já era sabido. Parece-me que o autor tenta humanizar a vida de Mel, defendendo-o dos ataques e especulações feitas por tablóides sensacionalistas.

Talvez, este seja, o melhor atributo do livro. O que pode se comprovar é que Mel Gibson, ao contrário da maioria dos astros e celebridades mundiais, é “gente como a gente”, guardadas as devidas proporções (e milhões de dólares na conta bancária!), é claro.

Quando jovem, foi ridicularizado por ser um norte-americano em terras australianas. Sem rumo, acabou entrando para uma escola de atores, por incentivo de uma das suas irmãs. Descobriu-se um “estranho no ninho”, pois vindo de uma educação severamente religiosa e pragmática, acabou mergulhando de cabeça no alcoolismo e tabagismo.

Talvez por isso, tenha se casado com uma enfermeira, que mais aproxima-se da figura de “mãe” do que de “esposa”. À exemplo do seu pai, constituiu uma numerosa família… sabe aquela coisa de “escadinha”? Um filho após o outro…

Polêmico e ingênuo… suas declarações à imprensa, quase sempre, são dúbias. Terá Gibson dito aquilo propositalmente? Ou deixou escapar, sem pensar antes? Não sei dizer…

Só sei que o livro, por si só, vale a pena ser lido, mais como exemplo de uma vida… que não deve ser seguida, pois é tão surreal, que não serve de parâmetro para ninguém. Apenas para Mel. Sua biografia, por si só, é uma história fantástica demais… tão fantasiosa, que nem o mais criativoescritor poderia ser capaz de inventá-la.

Epílogo do Livro

Vou transcrever o epílogo do livro para que vocês possam sentir um “gostinho” do que esse livro reserva para quem deseja se aventurar:

À medida que Mel caminha para os 40 anos, seu rosto mostra as marcas de uma vida de bebedeiras, mulheres e excesso de trabalho. Uma rede de rugas começa a se tornar visível nos cantos dos olhos e profundos vincos se formam nos cantos da boca.

Mel é, em última análise, um original, e um dos mais populares atores de nosso tempo. Sua persona alegre/triste já atravessou duas décadas da indústria do cinema.

Ele é um garoto de classe média que abriu caminho no mundo do cinema representando, essencialmente, a si próprio. Um culto estudante de arte dramática que consegue falar como um fazendeiro do interior ou um tira de Los Angeles; o tímido filho de um operário de ferrovia que representa as fantasias de todas as mulheres do mundo; o vaqueiro rude que gosta das coisas práticas, como qualquer homem simples; o ídolo de Hollywood que prega a palavra de Deus mas se recusa a entrar na casa do Senhor por causa da briga do pai com a Igreja Católica; o misógino irrecuperável que admite preferir a companhia das mulheres; o reacionário, o homofóbico e – o que é mais intrigante – o ídolo anti-social que alcançou fama internacional com seu jeito de bom moço.

Mel é o protótipo do artista mutável, capaz de passar de um sotaque a outro e de um país a outro com tal facilidade que desafia qualquer classificação. De certa maneira, é isso que nos fascina.

Sempre tentou se manter um passo à frente de seus contemporâneos. Numa geração preocupada com o controle da natalidade, ele deu um passo à frente e gerou um pequeno exército de filhos. 0 advento da modernidade e do feminismo não o atingiu. Continua sendo o mesmo sujeito antiquado, que acredita que o lugar da mulher é em casa e que os filho-, às vezes precisam de umas boas palmadas.

E é esse homem que representa com tanta paixão heróis como o veterano do Vietnam (sic) Marty Riggs, embora seu pai tenha tirado os filhos dos Estados Unidos para evitar que eles fossem tragados pelo conflito.

No campo familiar, a sorte de Mel se tornou legendária. A não ser pelo triste desaparecimento da mãe, em 1990, a morte raramente tocou sua vida. E, no campo profissional, tem podido escolha escrupulosamente seus trabalhos.

Em 1989, guiado pela obsessão de fazer um faroeste, ele apareceu no Saturday Night Live no papel de um xerife, e depois fez quest de que seus sócios assistissem a um vídeo do programa para convencê-los de seu desempenho.

O sucesso comercial de Máquina Mortífera e sua (surpreendente) aceitação por parte da crítica adiaram convenientemente sua chegada à meia-idade. Para falar a verdade, não há indicações de Mel tenha medo de envelhecer.

Entretanto, quando se trata dele, nada é previsível. Embora batalhão de conselheiros continuem pressionando-o a aceitar mais e mais filmes multimilionários em troca de fantásticos cachês, ele é bem capaz de um belo dia largar tudo e abandonar Hollywood.

Chegou a pensar nisso no passado, e, mais de uma vez, se refere à fazenda de gado na Austrália como sua “aposentadoria”. E ainda há Robyn e os filhos a considerar. A filha mais velha, Hannah, está na adolescência, o que torna cada dia mais impraticável uma vida cigana, pulando de escola em escola. Mel fez uma promessa de nunca mais passar muito tempo longe da família, seu porto seguro, para onde ele pode retornar depois de toda a loucura de sua profissão. E agora, com os filhos crescendo e chegando à escola secundária, terá que encarar algumas decisões difíceis sobre o futuro e a necessidade familiar de maior estabilidade.

A possibilidade de que Mel possa se aposentar antes de chegar aos 40, em 1996, não é de todo absurda. A não ser por um outro desvio, ele tem permanecido constantemente fiel e comprometido com a vida familiar. Já deu sinais de que seria o mais feliz dos homens se Robyn tivesse mais uns seis filhos. E nunca escondeu o fato de que considera a profissão de ator um trabalho como qualquer outro e nada mais. Só o tempo dirá…

Mel Gibson – The Inside History
by Wensley Clakrson
Mel Gibson – A História Secreta
tradução de Eliana Rocha

Post scriptum

Pela primeira vez – na minha vida – utilizei a tecnologia de OCR – Optical Character Recognition (em português, Reconhecimento Ótico de Caracteres) para digitalizar um texto, à partir de um original impresso.

A idéia é simples: você utiliza um scanner e o software “traduz” a imagem em texto. Até então, quando comprei meu primeiro scanner (um Genius, há 10 anos atrás), esta tecnologia estava engatinhando. Hoje o resultado é bem satisfatório.

Eu economizei um tempo razoável, caso tivesse que “digitá-lo manualmente”, ao invés de apenas digitalizá-lo via OCR. Mas, por mais que tenha evoluído, a tecnologia ainda escorrega na casca da banana, e o texto precisa ser revisado para corrigir erros crassos ou palavras que o software não conseguiu decifrar.

Quer saber mais?

Post Scriptum 2:

O ensaio “A guerra contra Mel Gibson”, cujo site Universo Católico publicou a tradução em português, trata-se de um ensaio do autor Gary North, aclamado escritor e teólogo norte-americano, com dezenas de livros publicados.  No texto, há uma menção à um e-book do autor, que disponibilizou gratuitamente para download.

No texto original, há um link que não funciona. Eu descobri – a muito custo – outro link. Vou adicioná-lo aqui. Por via das dúvidas, sugiram que salvem o arquivo em seu HD. Eu salvei no meu Scribd. Lembro, que isto não é violação de direitos autorais, pois o próprio autor liberou a livre distribuição do manuscrito (em inglês) de forma gratuita.

Quer ler mais?

Anúncios

3 Responses to “Livros: A vida secreta de Mel Gibson?”


  1. 1 tiago
    16 de abril de 2009 às 23:31

    vla cara boa história

  2. 25 de fevereiro de 2012 às 23:52

    Eu por duas vezes li esse livro: A história secreta de Mel Gibson, eu concordo com que foi escrito acima, ainda digo mais, se esse livro fosse uma biografia autorizada do ator, seria um livo muito bom, pois conta a história desde de sua avó a contralto Eva Myllot, até os 40 e poucos anos deles, mas são história que não tem se prova, acredito que houve acréscimos de fatos, mas em contrapartida, hoje ele prova através de atitudes que o que foi escrito não foi totalmente fora da realidade, pois Mel foi preso pela segunda vez por dirigir bêbado, a primeira vez foi no Canadá, lá pelos anos 80, a bebedeira dele, a infidelidade latente dele, que ocasionou a ruptura de um casamento de anos e fora outras coisas que acontecem.
    Mas o que acontece, que para nós que somos fãs dele isso nada muda o sentimento para com ele, pois eu gosto do ator e não da pessoa que nunca tive contato. Vale a pena ler o livro.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


Pessoas já leram MZN News:

  • 325,143 hits

SOS Nordeste

Categorias de Matérias

Quer procurar alguma coisa no Blog?

Digite no campo abaixo palavras chaves (tags) para encontrar nas matérias já publicadas

Arquivos

Expediente

Editor e Articulista:
Mazinho Almeida
Colaboradoras:
Fládima Christofari (Campo Grande -MS)
Helen Mariana (Curitiba-PR)
Cartas à Redação:
Para corresponder com nosso blog, além dos comentários, envie e-mail para o endereço mznnews.redacao@gmail.com

%d blogueiros gostam disto: