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fev
09

Especial: levando com a “barriga”

A barriga da discórdia

A barriga da discórdia

Acho que todos temos acompanhado o noticiário da TV, Jornal, Revistas e Internet, acerca do emblemático caso da advogada brasileira Paula Oliveira,  de 26 anos de idade, que residia na Suiça.

Para quem não está situado, o resumo da história é a seguinte: Paula ligou pra polícia suiça, dizendo ter sido atacada por três agressores. Resultado: ela teve um aborto espontâneo em função do ocorrido. E foi “estiletada” por eles, com siglas do “HVP”, um partido suiço ultranacionalista, conhecido por seu discurso xenofóbico.

Em menos de uma semana, Paula, de vítima passou a ré. Seria engraçado, não fosse trágico. A polícia afirmou que ela não estava grávida. E mais: que os ferimentos em seu corpo, poderiam ter sido provocados pela própria Paula, num autoflagelo. Quer coisa mais sórdida?

A declaração do ministro Celso Amorim (de Relações Exteriores) conseguiu ser mais surreal: “Ainda não tenho a informação. Temos que dar a atenção e apoio à nossa concidadã. Há uma brasileira, que está na Suíça. Foi isso que a gente fez e continuará a fazer dentro das normas internacionais” disse o ministro em matéria ao UOL Notícias.

Como assim, o Ministério das Relações Exterior NÃO TEM A INFORMAÇÃO? É notícia no mundo todo. O pai da brasileira já está lá na Suiça. O consulado do Brasil já deve estar sabendo também.

Mais bizarro que isso, é a Polícia Suiça, prontificar-se em encriminar a brasileira, antes de fazer uma investigação profunda sobre o caso. Por que a pressa em desmenti-la? Por que ameaçá-la de prisão ou deportação? Pra quê?

Toda essa história está cheirando muito mal. A brasileira pode ter tido um acesso insanidade mental, em função de seu aborto espontâneo (chama-se no direito, tal estado de “depressão puerperal ou pós-parto”). Ou ainda, conforme ventilaram alguns meios de imprensa, Paula sofreria de lupus (segundo declarações feita pelo pai da brasileira), cujo um dos sintomas, seja justamente, tais acessos de insanidade.

Mas não é a primeira presepada diplomática que o Brasil cometeu nesses anos recentes. Vamos começar pelo  famoso gesto “top top top” de Marco Aurélio Garcia.

Em plena crise aérea, com 199 famílias chorando seus morto no incidente do voo TAM (chamo-o de “incidente”, e não, de “acidente”… as causas até hoje não foram apuradas), o tal Celso foi flagrado pelas lentes de Globo, comemorando esfuziantemente a notícia de que a falta de grooving (ranhuras) na pista de Congonhas, era uma hipótese descartada!

Depois, teve a apropriação à força das Refinarias da Petrobrás pelo presidente boliviano Evo Morales, aprendiz de ditador e seguidor de Hugo Chaves. Mais uma vez, o governo, aceitou parcimoniosamente, a agressão ao povo brasileiro e aos cofres públicos.

Teve também a desastrada intermediação do Brasil junto às FARC, no episódio da libertação de reféns nas selvas colombianas. O destacado para a missão? O Marco “Top Top” Garcia… só podia acabar em “Top Top” mesmo!

Se não me engano, teve ainda a moratória do Equador em cima do BNDES. Moratória, para quem não sabe, significa o mesmo que “calote”: quando quem deve, fala com todas as letras, que não vai pagar. Meu Deus!!! Se o BNDES é um banco de fomento para a ECONOMIA BRASILEIRA, por que raios emprestou dinheiro para o Equador???

A “barbie” Cristina Kirshiner, presidente da Argentina, elevou o imposto de exportação sobre o trigo. Até aí, tudo bem. Não fossem dois fatos: o Brasil ser o maior importador do trigo argentino e ser o principal parceiro comercial no Mercosul. Para nossa sorte, os senadores de lá, não deixaram e derrubaram a medida!

Ah sim… quase que perdemos Itaipu para o “ex-bispo” Lugo, presidente eleito do Paraguai… até los hermanos querem passar a perna em nós! Brincadeira, né? Mas tem uma situação que eu gostaria de elogiar o Governo. Já digo qual…

Césare Batistti

Sim. Ao contrário da maioria das revistas, jornais e sites de notícias, eu APOIO a decisão do Brasil em conceder asilo político ao terrorista italiano Césare Batistii. Por vários motivos, eu pensei e ponderei, antes de tomar a decisão. Querem saber quais motivos?

  • O Brasil sempre foi o destino preferido dos fugitivos estrangeiros. Até nos filmes de James Bond, o pessoal fala isso do nosso país. Ronald Biggs – o assaltante do Trem Pagador na Inglaterra – veio para cá, constitui família, um de seus filhos participou de um dos grupos infantis de maior sucesso na década de 80, e quando estava velho, viu que se dependesse do SUS ou INSS, estaria em maus lençóis. Prefiriu “se entregar” à Justiça Britânica.

    Detalhe: lá, o crime não prescreveu! Então, Biggs voltou à sua “Land Sweet Land” para pagar o que deve, cumprir os restos de seus dias de existência nesta vida, e limpar sua consciência antes da partida definitiva.

    A mesma Inglaterra, que prendeu um velho ladrão, foi a mesma, que inocentou a Polícia Londrina pela morte do brasileiro Jean Charles de Menezes. Dois pesos, duas medidas? Não sei… só sei que o “chefe de Polícia” era irmão do Primeiro Ministro Tony Blair. Coincidência, né?

    Então, já que todo mundo sapateia em cima da nossa honra, VAMOS LEVAR A FAMA! Ué? Eu fico indignado como o “mundo” pode ficar perplexo diante de nossa postura, quando todo “mundo”, já falava que éramos o destino preferido de toda corja de bandidos estrangeiros!!!

  • Quem está vendo o episódio da Brasileira Paula, esqueceu-se de um detalhezinho bobo. A Suiça é um dos chamados “Paraísos Fiscais”. Explico: lá é o “destino preferido” pelos “bandidos”, não para morarem. Mas sim, para esconderem o seu dinheiro ilegal.Lá repousam em berço esplêndido, milhões e milhões de dólares de nosso suado dinheiro, desviados por políticos corruptos em esquemas de superfaturamento de obras públicas, ou ainda, recursos provenientes de atividades ilegais e criminosas, como o tráfico de drogas, de armas, de pessoas, de órgãos humanos, de animais e plantas (biopirataria), etc.

    Ocorre que, a Suiça (a exemplo de outros paraísos, como Ilhas Virgens, Caribe, etc), garante aos depositantes, total sigilo bancário. Até hoje, mesmo que a Justiça Brasileira, tenha conseguido provar a ilegalidade da origem de muitos recursos lá depositados, a Suiça se negou à “repatriá-los”. Estão lá. E por lá ficarão até serem confiscados pelo Banco Central Suiço, daqui há alguns anos…

    Por que? Questão de soberania. Na Suiça, mandam os suiços, e ponto final. Eles não aceitam a Convenção de Basiléia, cujos países signatários, obrigam-se a rastrear todos recursos financeiros e combater a lavagem de dinheiro.

  • E o caso do banqueiro italiano Salvatore Cacciolla? Dono do extindo Banco Marka Sindam, foi apontado como um dos principais especuladores no mercado financeiro, agindo de forma ilegal. Preso preventivamente em 2000, foi solto graças a um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal e fugiu para a Itália, seu país natal.A decisão do STF – apesar de contestada até hoje – foi correta: não haviam indícios que sustentassem uma prisão preventiva! O réu não possuía antecedentes criminais (ou seja, não tinha SENTENÇA CONDENATÓRIA TRANSITADA JULGADA anteriormente aos fatos alhures). Apesar de italiano, era naturalizado brasileiro e possuía residência fixa. Além do que, sua liberdade não representava perigo à Sociedade, do ponto de vista comportamental.

    A condição para ser posto em liberdade condicional (ou ter a Prisão Temporária ou Prisão Preventiva) revogada, era de que comparacesse à Justiça, sempre que solicitado. Para isso, ele entregou seu passaporte brasileiro (ele é brasileiro naturalizado). Mas não entregou o Passaporte Italiano. Fugiu tranquilamente…

    A Itália negou-se à devolvê-lo, alegando o mesmo, ser cidadão italiano e não reconhecendo a Decisão da Justiça Brasileira. Cacciolla gozou a liberdade em terras italianas.  A Itália, em sua defesa, alegou: soberania. Jamais entregaria um dos filhos teus para outro país julgar!!!

    Um dia, Cacciolla resolveu ir à Mônaco para veranear: esqueceu-se que, apesar de Mônaco ser um enclave geográfica em terras italianas, NÃO É território italiano!!! É um “Principado” com soberania. Foi preso. Foi deportado. E está no Brasil, em Bangu, aguardando julgamento definitivo.

  • Agora vejamos o terrotista Batistti… a Itália esbravejou! Afinal, ele é um… terrorista! Ceifou milhares de vida de italianos e italianas. Foi julgado (ainda que à revelia) e condenado. Portanto, não merece asilo político. Mas o Brasil concedeu!!!

    A Itália protestou… o mundo deu eco aos protestos dos italianos. Mas para eles – que são o berço do Direito Romano e Direito Canônico, que influenciou as legislações de quase-todos os países ocidentais – fica a lição: AQUI, QUEM MANDA, SOMOS NÓS!!

    Sabe como que é, né… questão de SOBERANIA.
    Se vocês vão gostar ou não, problema de vocês. A Suiça não devolveu o dinheiro quando pedimos… e quer enquadrar uma brasileira que se automultilou (ou não).

    A Itália não quis devolver Cacciolla, apesar dele TAMBÉM ser brasileiro (ele tinha dupla nacionalidade).  Não tem problema: o príncipe Albert de Mônaco, devolvou ele pra gente. Tipo assim: ave, Ayrton Senna! Obrigado por ter sido o nosso Herói e ter conquistado toda a Realeza Montecarlina. Se não fosse por ele, talvez, não tivéssemos conseguido trazer o Cacciolla pra cá.

    Italliano… tutto buona gente! Continuarei gostando de Laura Pausini, e Roma, continuará sendo minha “viagem dos sonhos”. Só que eu espero não ser deportado, assim que chegar lá, como fizeram os espanhóis conosco. Mas cá entre nós: o que é que tem de bom na Espanha para se ver???

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2 Responses to “Especial: levando com a “barriga””


  1. 1 Ana Paula
    20 de fevereiro de 2009 às 14:59

    Sensacional! Adorei a matéria! Aqui quem manda somos nós!!!


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