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mar
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Editorial – A responsabilidade de (in)-(de)-formar

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Nesta segunda-feira (23), ao consultar as estatísticas do blog, um susto: 3.452 visitas. Num único dia… Quais teriam sido as matérias mais lidas? Resposta: “Mais um escândalo…” com 539 visualizações, deixando as notícias sobre o BBB9 nas posições atrás com uma diferença significativa — o 2º tópico mais visto no dia teve apenas 177 hits.

Estranhamos tamanha repercursão pois não colocamos qualquer TAG — aquelas palavras-chaves que servem de “iscas”, chamarizes de audiência em sistemas de buscas na internet.  Mas, afinal, que reflexão pode ser feita deste fato?

As pessoas, de um modo geral, têm sede de saber. No mundo atual, onde as pessoas estão sendo lobotomizadas gradativamente pela Indústria Cultural, elas não se dão conta do processo de esvaziamento às quais têm sido submetidas.

Vivemos mergulhados num dia-a-dia sempre igual: empregos estressantes, trânsito caótico, violência cotidiana. Agressões de todo o tipo: desde a falta de um “Olá, bom dia, como vai?” até a humilhação de viajar expremido como uma sardinha na lata, dentro de algum ônibus, metrô ou trem. Quando se chega em casa, já é noite.

Quem é pai ou mãe, mal tem tempo de sentar e conversar com seus filhos sobre como foi o dia deles. Afinal, tem roupa para lavar, casa para limpar, jantar para fazer… Enquanto faz tudo isso, a televisão permanece ligada na sala, em um volume ensurdecedor.

Volta e meia, uma ou outra notícia chama a atenção no noticiário. Geralmente, são sempre aquelas mais “chocantes”: um assassinato, um acidente, um estupro… Aliás, a mídia têm tentado incluir nessa última categoria — estupro — os casos envolvendo “crianças e adolescentes”.

O caso de Ibirubá foi apenas mais um deles. Ninguém se preocupou com as vítimas: não apenas “as crianças” — coloco entre aspas… adiante eu explico o porquê. Mas, se pararmos para pensar, de alguma forma todos nós somos vítimas!

Os pais e mães têm que dar duro e trabalhar muito para poderem propiciar a família o “american life way”; sinônimo de “qualidade de vida” foi reduzido à pesquisas estatísticas que levam em conta quantos aparelhos de TV, geladeira, carro e internet temos em casa… e só!

Nenhuma dessas pesquisas de “qualidade de vida”, mede o tempo livre do trabalhador, para poder “desfrutar” de sua família. E nem teria como fazer tal aferição, pelo simples fato de que a grande maioria, não tem tempo livre algum!

Pais e mães que saem de madrugada para trabalharem e voltam somente à noite… resultado: filhos com tempo livre demais e desasistidos de menos. Feliz a época em que as mulheres eram mães — repito: isto não é um comentário machista, por favor — e podia cuidar, in loco, de sua prole e educá-los, reprendê-los quando faziam algo de errado e, acima de tudo, amá-los.

O mundo precisa de amor. As pessoas buscam esse amor em coisas materiais ou nas pessoas erradas. Confundem “amor próprio” com fama, poder, ter dinheiro. Acham que “fazer amor” é ficar, transar e se envolver com pessoas descoladas.

Enquanto o pai/mãe está dando duro lá fora de casa, para pagar as contas no fim-do-mês — contas estas, resultantes da busca desenfreada pelo american life way — os filhos ficam “soltos no mundo”.

As crianças não têm babá: assistem TV e desenhos que, cada vez mais, trazem embutidos de forma subliminar, conceitos e valores deformados.  Os mais velhos — adolescentes — se enfiam na internet ou vão para shopping centers ou casa de “amigos” para… conversar?

Aqueles que ficam só na “conversa”, ainda estão no lucro. A maioria vai para a casa do outro fazer aquilo que não pode fazer dentro da sua casa: assistir filmes, ler revistas e acessar sites proibidos.

As meninas, fazem ensaios com superprodução — figurino, maquiagem e chapinha no cabelo — para postarem fotos sensuais e provocativas em fotologs, Orkut e similares.

Os meninos, juntam-se para jogar Country Striker, Grand Thief Auto (GTA) e outros games que incentivam a violência…

Ou então, meninos e meninas — porque, por mais que eles tenham vozes grossas, pelos pubianos e bíceps malhados… e elas decotes generosos, cabelos perfeitos e uma pele bem cuidada… não deixam de ser apenas “meninos e meninas” — acabam mesmo é se reunindo para descobrirem o sexo.

Quase sempre, da pior forma possível: vão buscar em novelas vespertinas, filmes hollywoodianos e revistas/sites  “teens”, referenciais para sua sexualidade. Referências essas que beiram o “pornográfico”.

Eu me recusei a ver o vídeo de Ibirubá. E o que pouco vi — tanto nas imagens em movimento na matéria da TV,  quanto nas imagens estáticas contidas no blog que eu denunciei a Safernet — me deixou estarrecido.

Não estávamos diante de “crianças e adolescentes”, mas sim, de caricaturas de adultos. Poses e posições sexuais pornográficas demais para quem tem tão pouca idade e está apenas “começando a descobrir” a sua sexualidade. Precoce? Imagina…

O que mais me deixou apreensivo foi o fato de que só haviam crianças e adolescentes no recinto. E por que gravaram a cena? Para poderem mostrar para os outros que eles eram os tais… Para os meninos: os garanhões. Para a menina: a experiente.

Em tempos de Big Brother, é incrível a quantidade de celebridades na internet: pessoas anônimas, que decidem eternizar um momento de intimidade… e que vêm depois esses momentos serem publicado e vistos por milhões de pessoas em volta do mundo!!!

O fantasma desse acontecimento acompanhará os “piás” — é assim que os gaúchos chamas suas crianças — pelo resto de suas vidas. Assim como, perseguirá tantos outros que têm sua vida e intimidade escarafunchados, mas cuja e dor não vêm à tona na “grande mídia”… Mesmo “famosos na internet”, permanecem  no anonimato,com as cicatrizes dos acontecimentos.

Está nas nossas mãos o poder de INformar, de DEformar ou de FORmar pessoas através de um meio de comunicação. Neste blog, tentamos INformar e Formar mentes críticas, que saibam enxergar o mundo sob um novo olhar.

É dolorosa tal tarefa: a maioria das pessoas não entendem o que falamos — muitas vezes, por total ignorância cultural, ou ainda, por mera conveniência. Os comentários que vemos nos textos refletem bem isso…

No texto sobre a “surra da cantora Rihanna”, esperávamos ver as pessoas indignarem-se: não com o choque da face cheia de hematomas da cantora, nem pela agressividade de Chris Brown. O que realmente queríamos questionar é como os dois — ele e ela — tornaram-se escravos de um Sistema perverso

Mas teve gente que colocou-se do lado dela, achando absurso tal atitude do cantor: se fosse no Brasil, ele seria enquadrado na chamada Lei Maria da Penha. Porém, mais absurdo ainda, foi ver que teve uma quantidade considerável de gente que achou Rihanna mereceu levar porrada! QUE ABSURDO É ESSE GENTE?

Vejo que estamos regredindo no processo evolutivo: quando chegamos no ápice do Iluminismo e do Racionalismo, as pessoas querem se voltar contra a natureza humana… a “humanidade” está sendo “animalizada”. E ninguém se dá conta disso…

Acordemos, urgentemente, desse processo de lobotomização — que está arrancando de nossas mentes, o pouco de razão, sensibilidade e dignidade. Todo o mundo precisa de amor. Todo mundo precisa ser amado.

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