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Comportamento: alunos travestis MS podem usar banheiros de professores no MS

Símbolo de banheiro para Transsexuais na Thailândia

Cartaz em banheiro para Transsexuais na Thailândia

Uma polêmica se instalou nos corredores das escolas estaduais do Mato Grosso do Sul: a Secretária Estadual de Educação, Maria Nilene Badeca da Costa, em comunicado  oficial e dirigido aos diretores e professores, determinou que os mesmos permitissem o uso dos banheiros femininos aos alunos travestis e transsexuais.

O assunto ganhou a mídia nacional e a polêmica que foi gerada em torno do tema, acabou fazendo-a voltar atrás na decisão: agora, os alunos transsexuais/travestis poderão usar os banheiros destinados às professoras e funcionárias. Novamente, a decisão não agradou.

Recebemos um e-mail de uma professora que pediu para não ter sua identidade revelada. Nela, a educadora comenta: “A questão é delicada e entendemos o sofrimento desses alunos. Porém, como fica a intimidade de nós, professoras e funcionárias? Em tempos onde os alunos e alunas não conseguem mais nos enxergar como uma autoridade em sala de aula, como vai ser se começarmos à dividirmos um espaço tão íntimo quanto um banheiro? Esta, definitivamente, não é a melhor solução!

Afinal: qual a solução mais adequada? Como o Estado deve agir numa questão delicada: conciliar dois preceitos constitucionais e fundamentais — o equilíbrio entre a igualdade e o respeito à diversidade e às minorias?

A questão é uniformizar…

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O atual Governo, implantou neste ano em todas as Escolas Estaduais o uniforme escolar (vide banner ao lado).

Trata-se de uma estratégia — de certo sucesso — que já havia sido adotada pelo atual governador André Puccinelli, na capital Campo Grande, quando ele era prefeito municipal.

Agora, à frente do Governo Estadual, Puccinelli quer imprimir no sistema educacional do MS, o mesmo padrão de excelência que o sistema de ensino municipal de Campo Grande atingiu. Se dará certo, só o tempo dirá.

Mas, de cara, este parece ser o primeiro — e mais lógico — passo: uniformizar. Na gestão anterior de Zeca do PT, os diretores e as escolass estaduais ganharam independência, tanto na gestão de recursos de investimento quanto de manutenção dos colégios. Sinceramente falando: era um carnaval só!

Cada escola adotava um uniforme, com cores e modelos diferentes — isto, quando adotava um! A única padronização consistia nas “cores” com as quais as fachadas das escolas estaduais eram sempre pintadas: vermelho e amarelo, uma alusão às cores do PT.

… e o respeito às diferenças?

Voltem um pouco a página e veja novamente o banner: o governo distribui 650 mil uniformes à 324 mil alunos da Rede Estadual. Alguém poderia perguntar: desses 324 mil alunos, quantos são travestis/transsexuais? A resposta, transcrevo um trecho da reportagem de João Sorima Neto/Fabiana Parajara para “O Globo”:

No Mato Grosso do Sul existem pelo menos 6 casos de alunos travestis estudando em escolas públicas. Todos estão no ensino médio, estudam à noite e têm mais de 18 anos. A orientação da secretaria estadual de Educação do Mato Grosso do Sul às escolas públicas foi dada depois que um desses alunos questionou a direção sobre o uso do banheiro. O estudante disse que no banheiro masculino era alvo de piadas. Na circular expedida pela secretaria, recomenda-se ainda que o aluno travesti seja tratado pelo nome feminino.

Reparem: de um universo de 324 mil alunos, APENAS SEIS são travestis. Estatisticamente falando, são 0,001852% dos alunos. Utilizando o sistema de arredondamento decimal, nos deparamos com traço estatístico.

Tratar questões delicadas como essa sob uma ótica estatística seria perverso demais; afinal, traço estatístico, zero e nada são sinônimos. Mas sabemos, que são seis vidas que estão em jogo. Seis pessoas, com sentimentos, pensamentos, emoções…

Mas como conciliar a delicada equação entre o respeito à minoria e à diversidade, com um sistema democrático, onde a maioria é quem decide? Não faltam propostas de solução. Segundo a mesma matéria de “O Globo”, o vereador Paulo Siufi — que é médico e se elegeu como representante da Igreja Católica — apresentou a proposta da construção de um terceiro banheiro nas escolas para atender esses alunos.

Por outro lado, o presidente da Associação Parada do Orgulho Gay de São Paulo (SP), Alexandre “Xande” dos Santos, acha que a idéia só incentivaria ainda mais a segregação. Mas afinal: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come? — desculpem-me o trocadilho.

Com todo o respeito ao Sr (ou Srª… não sei como ele prefere ser tratado[a]) Xande, acho que ele está lá em São Paulo e não conhece a realidade local de Campo Grande. Talvez, sua opinião possa ter alguma relevância se os debates envolvessem as escolas paulistanas…

Já em relação à proposta do vereador Paulo Siuffi, apesar dela já ter sido adotada em outros países — destacamos uma matéria da BBC sobre uma escola tailandesa — ela é inviável. Existe na Constituição Federal o princípio chamado de “moralidade no uso da coisa pública”.

Sair construindo “mais um banheiro” em cada uma das escolas estaduais, seria um desperdício do dinheiro público — que é meu, seu e de todos nós! Como demonstramos, não justifica a construção de tantos banheiros, se a realidade concreta demonstra que 99,99% deles simplesmente serão subutilizados… para não dizer, que ficarão fechados sem qualquer uso. Ou ainda, se não serão usados como depósitos ou outros fins nada educativos pelos alunos.

Debatamos o assunto, com mais serenidade e menos fisiologismo. Por hora, a medida da Secretária foi a mais sensata resposta diante da urgência de uma situação específica. Mas, de modo algum, esse arremedo pode ser encarado como a solução definitiva.

Estamos de olho…

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1 Response to “Comportamento: alunos travestis MS podem usar banheiros de professores no MS”


  1. 1 Cris Parron
    26 de março de 2009 às 09:55

    Eu já comentei este assunto com pessoas de diversas formações e a maioria delas foi objetiva, assim como é minha opinião a respeito: Com tanta coisa a ser discutida no sistema educacional do Estado de MS, prender-se a esse assunto é enfatizar o desnecessário e algo de simples solução. Fiquei horrorizada com o argumento de uma professora, que se dizia invadida na sua privacidade em frequentar o mesmo banheiro com um travesti. Mais horrorizada fiquei com o argumento de uma senhora, a qual mantém a guarda de sua sobrinha, dizendo que iria tirar a adolescente da escola para evitar que ela tivesse contato com um travesti. Que alegação absurda e preconceituosa.

    Numa cidade hipocritamente machista em que vivemos, vejo que se um travesti frequentar o banheiro masculino, este não será apenas alvo de piadas, e sim alvo e vítima de agressões. Não vejo mal nenhum que esta minoria frequente o banheiro feminino, pois acredito que às moças eles nada de mal fariam. E se por segurança, qual o problema em frequentar o banheiro das professoras. eu, enquanto professora não vejo mal nenhum. O Mal que vejo é que ainda existam educadores de mentes tão pequenas e preconceituosas.


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