28
abr
09

Televisão: Custe o que Custar… será?

mzn-cqcO programa CQC – Custe o que Custar, da Band, começa a sofrer as consequências pela escolha da linha editorial: um jornalismo humorístico, com pitadas de sarcasmo e saias-justas.

Apesar do CQC ter sido — sem sombras de dúvidas — um dos melhores programas da TV aberta em 2008, ele não escapou incólume à “pressão”, principalmente, política.

O jornalista Flávio Rico, em seu blog adiantou os rumores que já circulavam nos bastidores do jornalismo. O apresentador e jornalista Marcelo Tás, teria sido chamado à uma “reunião” com a alta cúpula da emissora. Leia-se: o todo-poderoso Johnny Saad e a executiva Elisabetta Zenatti.

Oficialmente, a desculpa apresentada à imprensa para a “lei da mordaça” imposta ao CQC, foi a tentativa de “evitar processos judiciais” contra a emissora.

Mas eu não engulo esse argumento; se esse raciocínio estivesse correto, “certo” apresentador de certo “jornalístico” sensacionalista da mesma emissora, já estaria fora-do-ar a muito tempo, dado o seu histórico de temperamento explosivo, sua forma inadequada de tratar as autoridades (como se elas devessem dar satisfação à ele), entre tantas.

A pergunta que não quer calar: realmente EXISTE LIBERDADE DE IMPRENSA no Brasil? Não sou mais de acreditar em tudo que eu leio, vejo ou escuto. Checo pelo menos três fontes diferentes — no mínimo — para saber se aquela “notícia”  traz informações corretas ou não.

O caso do CQC é emblemático… um programa que na Argentina está no ar há mais de 10 anos, e que cuja estréia aqui no Brasil, foi feita com alarde e a promessa de “pegar pesado”, especialmente com os políticos, agora parece que não vai ser… digamos… tão “incisivo” como outrora.

Custe o que Custar? Sim, até onde não ferir os interesses da emissora… Coincidência ou não, já nesta edição de hoje — a 50ª edição do programa — não vi reportagens sobre política. Limitou-se apenas à “pautas insossas” (como a cobertura de uma vernisage em São Paulo, onde um dos entrevistados tirou sarro do próprio CQC, perguntando-lhe se eles não tinham outra coisa mais importante para cobrir…) e à fazer uma “retrospectiva” da vida de cada um dos 7 “homens-de-preto”.

A impressão que ficou é que as “biografias” foram improvisadas para preencher linguiça, ou seja, os buracos que ficaram com a “extirpação” de pautas políticas da atração.

Já podem chamar o Danilo Gentili novamente para São Paulo. Ou quem sabe, mantê-lo, de prontidão em… Salvador? Belém? Boa Vista? Ah… deixa pra lá!

Post Scriptum

Em tempo. Ainda não tive “coragem” de assistir ao novo programa da mesma Band, chamado “E-24” cujo formato foi adquirido da CuatroCabezas — a mesma criadora do CQC.

Sou contra toda forma de “espectularização da desgraça alheia”. Só de ver as chamadas comerciais para o novo programa, decidi não dar audiência para a Band. E assim farei. No que depender de mim, sangue e operações médicas, só em seriados como House M.D.

Mas não é de agora que eu estou “indignado” com essa forma bizarra de se fazer jornalismo. A mesma Band parece “acender uma vela pra Deus e outra pro Capeta”. Não consigo entender, mesmo. Como pode a mesma emissora ter programas “excepcionalmente bons” como o Canal Livre — um dos melhores programas de entrevista/debates da TV aberta, lado-a-lado com o Roda Livre (Cultura) e Sem Censura (TV Brasil) — com atrações “dantescamente ruins”, como o “pseudo-jornalistíco” de fim-de-tarde (que recuso-me a dizer o nome) e agora, esse tal “E24”?

Quando Celso Pitta foi mostrado em rede nacional, sendo preso em sua casa ainda com pijama, suas imagens foram despejadas dentro dos lares brasileiros; o povo satisfazia a sua “sanha de justiça” ao ver um ex-prefeito de São Paulo sendo “humilhado”… acredita-se: a Justiça foi feita!

Depois, o mesmo Pitta foi preso de novo — dessa vez, por não ter “pago pensão” à sua ex-esposa. Salvo raríssimas exceções — creio que apenas o SBT — tenham citado que o fato do ex-prefeito não pagar a pensão, devia-se ao fato de estar sendo submetido ao tratamento de um câncer.

Porém, miraculosamente, no sábado passado, foi feita uma “coletiva com a imprensa” da Dilma Roussef — COINCIDENTEMENTE, no mesmo horário do Jornal Hoje, que acabou transmintindo “ao vivo” a entrevista — para se “divulgar detalhes do seu tratamento contra um linfoma”.

Alguns sites já noticiaram que o E24 está sofrendo pressão de autoridades para sair do ar, ou pelo menos, não expor com tanta banalidade, as pessoas que são vítimas — e acabam autorizando a exibição de seu tormento.

Outros sites, falam que um comentário feito pelo âncora Ricardo Boechat no Jornal da Band, da última sexta-feira, não teria agradado uma certa autoridade de Brasília, que chiou… e parece ter sido ouvido pela “alta cúpula” da Band.

Coincidência ou não, todas essas notícias — a estréia do E-24; o comentário de Boechat; e a “mordaça” no CQC — aconteceram numa mesma semana. Só Jatobá não enxerga.

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