24
jul
09

Justiça: Banco condenado por obrigar funcionária a se insinuar para clientes

Aviso: Fotomontagem meramente ilustrativa e com finalidade humorística

Aviso: Fotomontagem meramente ilustrativa e com finalidade humorística

O Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT 23 – MT) tomou uma decisão inusitada: ao julgar recurso de Ação Trabalhista, movida por uma ex-funcionária contra o Banco para qual trabalhava, aumentou o valor da indenização que havia sido concedida em 1ª instância.

Até aqui, nada de tão inédito: o fato curioso é que a empregada acusou o banco de força-la a “ensinuar-se para clientes”, de forma a “vender mais produtos”.

Conseguiu imaginar a situação? Se não, basta olhar para a imagem ao lado que você terá uma idéia…

O gerente da bancária — provavelmente, bonita e com atributos físicos abundantes — obrigava a  moça a usar “roupas provocantes”, fazer gracejos para clientes e até participar de happy hours.

Segundo matéria veiculada no site Contraf/Cut, “o banco foi acusado de forçar a trabalhadora a se insinuar para os clientes, usando roupas sensuais e até a participar de “happy hour” para facilitar a aproximação e consequente realização de negócios”.

Ainda, segundo a mesma matéria, “o processo é originário da 3ª Vara de Cuiabá, onde a juíza Rafaela Barros Pantarroto havia condenado a empresa a indenizar a bancária (…) A trabalhadora apelou ao Tribunal, buscando aumentar o valor da condenação. O banco também entrou com recurso pedindo a reforma da sentença para isentá-lo de pagar a indenização, ou diminuir o valor imposto pela juíza. No entanto, o apelo da empresa não foi acolhido“.

O valor da condenação arbitrado em 1ª instância foi de cerca de R$ 37 mil reais; porém, o desembargador Edson Bueno, agravou a pena do banco, aumentando a indenização por danos morais para cerca de R$ 80 mil reais.

Em seu despacho, o relator justificou sua decisão, dizendo que  a bancária teve “violada sua intimidade, sua vida privada e sua honra ao ser obrigada a usar roupas curtas e a se insinuar para clientes masculinos a fim de não perder o seu emprego“.

A que ponto chegamos: bancos aliciando funcionárias para seduzir clientes? Lamentável!

Bancária, sim… acompanhante, never!

Que bancário(a) é uma das profissões mais odiadas pelo consumidor… todo mundo já sabe (ou quase!).

O que muita gente talvez desconheça é, que por trás daquela aparência formal e muitas vezes cisuda, existem pessoas fragilizadas e beirando um nível de estresse patológico.

Com a informatição dos bancos na década de 90, muitos bancários tiveram que reinventar-se para não perderem seus empregos. Muitos não conseguiram e sucumbiram à hecatombe na qual transformou-se esta profissão — outrora tida como “cobiçada”.

Não faz muito tempo, ser bancário era quase sempre sinônimo de “padrão de vida acima da média”: bons salários, jornada de trabalho privilegiada e outras regalias, que a maioria dos trabalhadores formais não tinham.

Quando foi concluído o processo de informatização dos bancos, o quadro funcional foi enxugado em todos eles: um serviço que antes exigia a mão-de-obra de 10 bancários, com a ajuda do computador, passou a ser desempenhada com apenas 1 empregado. Com uma margem de erro operacional muito menor — consequentemente, maior eficiência e menor prejuízo.

Ser bancário, portanto, deixou de ser uma “ótima” profissão; com o fim da inflação galopante, os bancos perderam a sua maior fonte de lucro até então: a especulação financeira — as chamadas over nights. Com isso, tiveram que “improvisar”, às pressas, sob pena de fecharem as portas.

Muitos bancos, de fato, não conseguiram se “reinventar” e acabaram fechando as portas, ou sendo comprados por outros maiores e mais “financeiramente saudáveis”. Principalmente, na época da implantação do Plano Real.

Com isso, entre outras medidas, os bancos começaram a atuar em nichos de mercado que até então desprezavam, como os de Seguros, Capitalização e Previdência Complementar. Consequentemente, o perfil do bancário também se transformou, concomitantemente, às mudanças que a própria atividade bancária sofreu.

Sai a figura do “bancário burocrata” — aquele que só batia carimbo ou datilografava contratos — e entra a figura do “bancário consultor”, ou como preferem a maioria dos gerentes: do bancário vendedor.

Cada vez mais a venda de produtos e serviços passou a ser a principal fonte de lucros dos bancos públicos e privados; por tabela, aumentou a pressão junto aos bancários para alcançar metas e resultados, cada vez mais galopantes e absurdos.

Nos bancos privados, essa cobrança é maior e mais daninha: quem não vende, vai pro olho da rua. Nos bancos públicos — controlados pelo Governo Federal, em sua maioria — não é diferente. Cada vez mais, bancários concursados sofrem nas mãos de gerentes, que também pressionados por seus diretores e superiores hierárquicos, acabam exigindo demais.

Aqui nasce a figura do Assédio moral.  Mas o que seria? Como diferenciar “Assédio moral” das cobranças normais e inerentes à atividade bancária dos dias atuais?

Essa pergunta tem sido feita, cada vez mais, nos juizados e tribunais trabalhistas. Bancários têm buscado no Judiciário a solução para esses problemas. As demandas vão desde a rescisão do contrato de trabalho e de reclamação acerca de verbas trabalhistas, chegando ao extremo, de funcionário doentes — em razão da sobrecarga de trabalho ou da pressão excessiva, discriminatória ou perseguição pessoal — que vão em busca de reparação pelos danos sofridos.

O exemplo desta bancária é apenas um entre milhares de outros… a sociedade, e principalmente, as Autoridades precisam acordar e enxergar essa realidade.

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